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Consórcio de Escolas de Ciências nasce em Braga para reforçar a cooperação e afirmar o papel da ciência em Portugal

Fotografia DM

Rita Cunha

Jornalista

Publicado em 24 de julho de 2026, às 16:00

Universidade do Minho acolhe a sede do novo organismo durante os primeiros dois anos

A Universidade do Minho acolheu esta manhã a assinatura do protocolo de criação do Consórcio de Escolas de Ciências (CEC), uma nova rede nacional que reúne dez universidades públicas portuguesas com o objetivo de reforçar a cooperação no ensino, na investigação e na inovação nas áreas das ciências exatas e naturais.

O consórcio integra as universidades dos Açores, Algarve, Aveiro, Beira Interior, Évora, Lisboa, Madeira, Minho, Porto e Trás-os-Montes e Alto Douro, assumindo-se como uma plataforma de colaboração destinada a promover políticas comuns para a valorização das ciências fundamentais, fomentar vocações científicas e contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

A sede do CEC ficará instalada, durante os primeiros dois anos, na Escola de Ciências da Universidade do Minho, sendo a presidência assegurada pelo diretor daquela unidade orgânica, José Manuel González-Méijome.

Na cerimónia, realizada na Reitoria da Universidade do Minho, o reitor Pedro Arezes destacou o significado da iniciativa, considerando que a constituição do consórcio demonstra uma vontade partilhada pelas instituições de ensino superior em trabalhar de forma articulada. «Não é frequente reunir, em torno do mesmo objetivo, um conjunto tão alargado de Escolas de Ciências e só por si este facto já mereceria ser assinalado», afirmou, sublinhando que a presença de instituições de praticamente todo o território nacional evidencia a importância do projeto.

Para Pedro Arezes, a colaboração entre universidades permitirá responder de forma mais eficaz aos desafios científicos e educativos, potenciando a partilha de experiências e de boas práticas. «O esforço será sempre mais forte se for feito em conjunto, por várias instituições», afirmou, recordando a experiência adquirida na coordenação de um consórcio de escolas de engenharia, onde os principais resultados surgiram das relações de confiança criadas entre os parceiros.

O reitor aproveitou ainda para defender a importância da investigação fundamental, lembrando que é frequentemente a partir dela que surgem, anos mais tarde, as grandes inovações tecnológicas e científicas. «Investir na ciência fundamental é investir, certamente, no nosso futuro, mesmo quando isso não nos pareça imediatamente visível ou palpável», afirmou, mostrando-se convicto de que o novo consórcio poderá contribuir para uma reflexão conjunta sobre os desafios que se colocam às ciências em Portugal.

Presente na cerimónia, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, saudou a criação do CEC e considerou que este tipo de iniciativas demonstra que é possível conciliar a identidade própria de cada instituição com uma estratégia de cooperação em torno de objetivos comuns. O governante destacou ainda a necessidade de reforçar o número de estudantes nas áreas das ciências exatas e naturais, defendendo que estas serão determinantes para responder às profundas transformações tecnológicas em curso. «Estou muito convicto de que os cursos de matemática, física e química vão ser cada vez mais importantes», afirmou, considerando que o ensino superior deverá continuar a tornar estas áreas mais atrativas para os estudantes.

Fernando Alexandre deixou igualmente um alerta, ao defender que «um país que não consiga atrair estudantes para as ciências exatas e naturais é um país com um problema sério», sublinhando que a competitividade futura dependerá da existência de uma sólida formação científica.

Entre os objetivos do novo consórcio estão o reforço da cooperação entre universidades, a promoção das ciências junto dos mais jovens, o contributo para a definição de políticas públicas de ciência e inovação e a defesa de um financiamento sustentável para estas áreas do conhecimento, procurando afirmar as ciências fundamentais como um eixo estratégico para o desenvolvimento de Portugal.