Uma investigação liderada pela Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) concluiu que a eficácia da remoção de resíduos de medicamentos da água depende significativamente do tipo de água em que os contaminantes se encontram. O estudo, recentemente publicado na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, poderá contribuir para o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes de descontaminação ambiental.
A investigação centrou-se no fosfato de cloroquina, um medicamento utilizado no tratamento da malária e de doenças autoimunes, como a artrite reumatoide e o lúpus. Considerado um poluente persistente devido à dificuldade da sua eliminação pelos sistemas convencionais de tratamento de águas, este composto foi removido com uma eficácia de até 83% em água potável através de processos fotocatalíticos.
A equipa científica avaliou cinco materiais semicondutores com potencial para degradar resíduos farmacêuticos: dióxido de titânio e óxidos de zinco, cério, bismuto e tungsténio. Estes materiais atuam como catalisadores ativados pela luz, produzindo espécies reativas capazes de decompor as moléculas contaminantes.
Ao contrário de muitos estudos realizados apenas em água ultrapura de laboratório, os investigadores testaram os materiais em três ambientes distintos: água ultrapura, água potável e água do mar sintética. O objetivo foi aproximar a investigação das condições reais encontradas nos ecossistemas aquáticos.
Segundo Fangyuan Zheng, investigadora da Universidade do Minho e primeira autora do estudo, a análise comparativa permitiu identificar não apenas o material mais eficaz, mas também compreender de que forma o seu desempenho varia consoante as características da água. Os resultados mostraram que alguns materiais que apresentavam desempenhos promissores em laboratório perderam grande parte da sua eficácia quando expostos à presença de sais e outros iões existentes na água potável e na água do mar.
Entre os materiais testados, o dióxido de titânio destacou-se pela consistência dos resultados, alcançando taxas de remoção de até 83% em água para consumo humano e de 46% em água do mar sintética, considerada uma das condições mais exigentes para este tipo de processo.
Para Pedro M. Martins, investigador do Centro de Biologia Molecular e Ambiental e do Instituto para a Bio-Sustentabilidade da ECUM, o conhecimento agora obtido poderá, a médio e longo prazo, ajudar a desenvolver sistemas de tratamento de água mais eficazes na eliminação de fármacos e outros contaminantes persistentes presentes em rios, lagos e zonas costeiras.