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Pedro Chagas Freitas deixou mensagem de resiliência aos profissionais da ULS Braga

Fotografia DM

Carla Esteves

Jornalista

Publicado em 16 de junho de 2026, às 17:51

O escritor reforçou a importância do humanismo e da proximidade com os doentes e familiares

O escritor Pedro Chagas Freitas esteve, hoje, na Unidade Local de Saúde de Braga (ULS Braga), para falar aos profissionais de saúde, transmitindo-lhes uma mensagem de humanismo, coragem, resiliência, cuidado e respeito por quem cuida. Intitulada “Os Caça-Alfaces”, a palestra foi proferida, num registo informal, com humor e sentimento à mistura, perante um auditório de cheio de profissionais da ULS Braga. Num registo informal e com humor à mistura, o autor partilhou as suas vivências enquanto criança, enquanto filho e enquanto pai, com especial destaque para o período em que acompanhou o filho durante o internamento, bem como o pai durante a sua doença.

Em conversa com os jornalistas, à margem da apresentação, o escritor salientou que «não foi à ULS  ensinar nada, mas apenas apresentar o seu lado, o lado de quem viveu dentro dos hospitais».

«Portanto, julgo que é uma mensagem com a qual cada uma das pessoas que está aqui se identifica, sobretudo pelo lado profissional, sendo que muitos destes profissionais,  têm simultaneamente vivências também como doentes ou como familiares ou amigos de doentes. Portanto, a ideia aqui foi trazer esse lado humano, o lado de cada um de nós, dos doentes do hospital, o que vivemos aqui, o que é que sentimos, o que é que mexe connosco, o que é que estas pessoas fizeram por nós e pelo meu filho, neste caso, e é isso que eu tento transmitir aqui», argumentou.

O escritor explicou que usa frequentemente a metáfora da alface, porque entende cada ser humano «cada um de nós, com o nosso organismo, como uma alface, somos pequenas alfaces que têm de ser muito bem cuidadas».

«É importante estes profissionais perceberem a importância que tem esta proximidade quando lidam com os doentes e com os familiares, porque quando é a nossa área de trabalho, por vezes, nós tendemos a ser mais robóticos na nossa abordagem», afirmou, lembrando que «isto sucede em todas as áreas, em que os profissionais se deparam com verdadeiras listas de tarefas e  as pessoas com quem estamos acabam por funcionar quase como módulos, como fórmulas».

Pedro Chagas Freitas salientou que é importante recordar aos profissionais que cada uma destas pessoas tem uma história, tem uma alma, e para tal socorreu-se nesta palestra, de uma série de palavras-chave que o «salvaram» quando esteve no hospital.

Para transmitir esta ideia, o orador estruturou a conversa em torno de seis conceitos, um para cada letra da palavra “alface”.

Começou pelo amor próprio, que descreveu como a capacidade de acreditar no que vemos, sentimos e fazemos, lembrando que nascemos profundamente humanos e que é o adulto, e não a criança, quem se deixa “robotizar” pelas obrigações do dia a dia.

Seguiu-se a liberdade, associada à criatividade, deixando  uma crítica àquilo a que chamou de «religião do foco».

No terceiro conceito, a falha, o escritor enalteceu a importância da mesma, salientando a necessidade do erro para a progressão.

O conceito de alegria foi o mote para um dos momentos mais pessoais da sessão, recordando momentos do internamento do filho.

Por fim, referiu-se a coragem, sustentando que precisamos de reconhecer no outro a coragem para falhar. Terminou com a empatia, reforçando a importância de se colocar no lugar do outro.

 

Conferência na ULS Braga no dia 19

Entretanto, na próxima sexta-feira, dia 19 de junho, às 10h00, o Hospital de Braga recebe a conferência “Estado da Arte dos Centros de Referência em Portugal. Como estamos? Para onde vamos?”. O orador é Eduardo Barroso, presidente daComissão Nacional para os Centros de Referência (CNCR).