O presidente da Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas (ELACH) da Universidade do Minho aproveitou as comemorações do seu 49.º aniversário para dar nota de algumas proecupações, mas também lançar desafios à reitoria. Os mesmos foram respondidos pelo reitor, um a um.
Num primeiro ponto, João Cardoso Rosas deixou críticas ao novo modelo orçamental da universidade. Considera que o mesmo poderá ser útil, mas entende que terá de ser «constantemente interpretado e reinterpretado». «Um orçamento é apenas um instrumento e tem de estar ao serviço dos objetivos da instituição e da sua identidade», afirmou. Em resposta, o reitor da UMinho referiu que «o orçamento não é um fim em si mesmo, mas ou temos uma situação de equilíbrio orçamental ou o nosso projeto fica em risco». Vincou ainda que «a transparência está firmada nos documentos» propostos aos órgãos relevantes da universidade. «A transparência é fundamental e, por muito dura que seja a realidade, é sempre melhor do que a opacidade», salientou.
As instalações foram outro ponto referido por João Cardoso Rosas, que pediu «mais cuidado para com o edificado» da escola, instalada no edifício mais antigo do campus de Gualtar. «É uma luta recorrente. Procuramos introduzir melhorias com pequenas obras, mas não somos capazes de recuperar o edifício e precisamos de ajuda da Reitoria», lamentou.
O reitor admitiu que o edifício da ELACH tem ficado de fora das intervenções, mas lembrou que estas têm sido feitas na universidade, no âmbito de candidaturas realizadas em 2022 e 2023, que permitiram encaixar uma verba de seis milhões de euros que estão hoje «a ser aplicados em intervenções em vários edifícios em Gualtar e Azurém». Segundo Rui Vieira de Castro, estas intervenções «representam um esforço que até à altura era impossível fazer».
O reitor adiantou ainda que será feita uma intervenção, embora não de fundo, no Convento dos Congregados, onde funciona o Departamento de Música.
No que respeita a internacionalização, o presidente da ELACH lamentou que se faça «pouco» para «facilitar a vida às unidades orgânicas». Como dificuldades, enumerou as sentidas na internacionalização de estudantes e docentes, no estabelecimento de parcerias internacionais ao nível da investigação e na atribuição de graus de dupla titulação. Segundo João Cardoso Rosas, «a universidade parece não estar preparada para estas iniciativas e isso pesa sobre nós».
Rui Vieira de Castro coontrapôs esta ideia, negando um «recuo» em matéria de internacionalização. Pelo contrário, «estamos a reforçar novos contextos em atividade de internacionalização». Concretamente sobre a ELACH, o reitor considerou que a Escola de Letras «tem belas experiências no quadro de mestrado europeu, que dão muita expressão a esse esforço de internacionalização». Contudo, reconheceu que «há coisas a resolver».