DM - O BE propõe a disponibilização de 100 mil casas para arrendamento a baixo custo. Qual é a margem para o distrito de distrito de Braga?
JMC - Não há propriamente uma margem proporcional para cada território.Há é que atender a carências de imediato. Estivemos recentemente num bairro social de Arcozelo, Barcelos, que é propriedade do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, que foi sujeito a obras de reabilitação que melhoraram muito a vida das pessoas. Isto é tipo de intervenção que deve ser feito em muitas das habitações. E temos o caso concreto de um bairro social de Guimarães, onde, desde há muitos, temos reivindicado a realização de obras de reabilitação, sem que nada tenha sido feito.O Bloco defende a criação de um plano de nacional de habitação, que passa muito pela reabilitação, para responder a um dos pilares da democracia, que é a habitação social. Nós temos uma reduzidíssima capacidade de habitação social face às necessidades das populações.
DM - Não há oferta disponível por parte da Administração Pública, como é que o Bloco esse plano nacional?
JMC - Podem ser feitos protocolos com muitas entidades de recuperação de edifícios. As próprias câmaras podem criar condições para surjam soluções, que aproveitem as muitas casas que estão devolutas e fazem falta a muita gente.
DM - O BE defendeu o fim da gestão privada no Hospital de Braga. Não teme que possa não ter sido uma boa opção?
JMC - Pelo contrário. Acho que foi uma muito boa opção, por todos os motivos.
DM - Segundo as entidades reguladoras e de acompanhamento, a PPP estava a funcionar bem.
JMC - Há indicadores que são favoráveis e outros que não são favoráveis. Mas há na nossa posição uma visão ideológica: o Estado tem que garantir o Serviço Nacional de Saúde para toda a gente. Isto não impede que haja hospitais privados e do setor social. Em muitas situações, podem complementar-se, mas tem é que haver uma separação total entre o que é público, o que é privado e o que é social. Não pode é haver promiscuidade nem interseção de interesses. A saúde não pode ser vista como um negócio.Há indicadores que nos mostram que havia recusa, pelo Hospital de Braga, de determinado tipo de tratamentos, nomeadamente medicamentos biológicos e oncológicos, a muitos doentes, que eram encaminhados para o Hospital de S. João, no Porto. Em muitos casos, porque não fazia parte do Caderno de Encargos da PPP. Muitas vezes ultrapassava o tempos de espera para cirurgia e eram emitidos cheques cirurgia para os hospitais da rede do grupo privado que geria o Hospital de Braga. Mas não é só o Hospital de Braga que nos preocupa.
DM - Também o de Barcelos?
JMC - A construção do novo hospital de Barcelos. Em 2009, o então secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, foi a Barcelos apresentar a estrutura do novo hospital, que estava já no ponto de ser colocado a concurso público. Até hoje não houve qualquer avanço e o Hospital de Barcelos mantém-se em condições perfeitamente deploráveis, ao nível do edifício.
DM - O Bloco já foi mais reivindicativo em relação à construção de um novo.
JMC - Olhe que não. A última decisão da Assembleia da República relativa ao Hospital de Barcelos, foi a inclusão de uma norma, no Orçamento do Estado para 2019, que obriga à abertura dos procedimentos concursais durante este ano. Estamos à espera que isso aconteça.Também estamos a acompanhar o que se passa no Hospital de Guimarães, que tem um Serviço de Urgência onde o tempo de espera é escandaloso.O próprio Hospital de Famalicão tem algumas carências que importa resolver. Mas também é preciso que os centros de saúde respondam às populações dos diferentes concelhos. Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Vieira de Minho há muito tempo que defendem centros de saúde com serviço de urgência básica.
DM - Depois de o PCP ter defendido há 4 anos uma rede ferroviária para ligar os quatro maiores concelhos do distrito, o Bloco de Esquerda avançou com uma proposta semelhante…
JMC - Não é exatamente assim. O Bloco, há 4 anos, já tinha a ligação a ligação ferroviária para o Quadrilátero Urbano no seu programa. Mas trata-se de uma proposta que não é uma apenas uma necessidade mas também uma obrigatoriedade.A aposta na mobilidade sustentável tem de passar para expansão cada vez mais da rede ferroviária. É uma obrigatoriedade não apenas do futuro, mas também do presente. Como é que queremos contribuir para a descarbonização, para o combate às alterações climáticas e para criar uma outra mobilidade sem a aposta na ferrovia? Viajar de comboio entre Guimarães e Braga, demora duas horas, com 50 minutos de espera em Lousado, para fazer a ligação. Por isso defendemos, no imediato, uma ligação direta entre Braga e Guimarães. É um investimento grande mas urgente. Além disso, defendemos que a linha Barcelos-Porto passe a suburbana, que permite uma maior frequência de comboios, uma melhor qualidade de serviço e mais segurança e um tarifário mais baixo.
Perfil
José Maria Cardoso tem 58 anos e reside em Barcelos.
Professor e dirigente do Sindicato dos Professores do Norte, integra a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda e é membro da coordenadora concelhia de Barcelos e da coordenadora e do secretariado distrital de Braga.
Militante do BE desde a sua fundação, foi cabeça de lista pelo círculo de Braga às eleições legislativas de 2002 e segundo candidato em 2005 e em 2009.
Concorreu à da Câmara de Barcelos em 2001 e 2013, sendo atualmente deputado municipal.Autor: Joaquim Martins Fernandes