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«Distrito teve um conjunto alargado de investimentos»

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Publicado em 28 de setembro de 2019, às 06:00

Sónia Fertuzinhos, cabeça de lista do PS pelo círculo eleitoral de Braga às eleições legislativas afiança que o distrito teve «um conjunto alargado de investimentos significativos» por parte do Governo. Apesar de subsistirem problemas por resolver, a cand

Diário do Minho (DM) - Qual foi a principal razão que a levou a ser cabeça de lista do PS por Braga às próximas eleições legislativas? Sónia Fertuzinhos (SF) A principal foi aceitar o convite do secretário-geral António Costa e foi o considerar que, sendo do distrito, conhecendo muito bem a realidade, tendo uma vasta experiência política, podia acrescentar na capacidade de mobilização e na representação do mesmo nos próximos quatro anos. DM – Sente mais confiança ou mais responsabilidade? SF – Sinto confiança e responsabilidade de fazer uma boa campanha, ser capaz de representar e continuar a relação de proximidade que tenho mantido com o distrito de Braga. DM – Está na Assembleia da República desde 1996. Em termos concretos, como é que a sua atividade parlamentar cuidou do presente e acautelou o futuro do distrito de Braga? SF – Sempre, porque o nosso distrito representa muito do que representa o país. Portanto, todo o trabalho que fiz, nomeadamente, na comissão de Trabalho e Segurança Social, cuidando dos direitos de paternidade e maternidade, todo o meu trabalho na defesa de serviços de apoio à família, como creches, pré-escolar, complementos de apoio, etc. Mas também em todo o trabalho que pude desenvolver enquanto vice-presidente do grupo parlamentar, com muitas responsabilidades, como, por exemplo, nas áreas do orçamento e Finanças, na defesa de investimentos em áreas centrais para o nosso distrito, como a proteção social e o aumento do salário mínimo. DM – No seu entender, o distrito tem tido o reconhecimento que merece por parte do Governo? SF – Tem, claramente. Neste último mandato, tivemos decisões importantes para o distrito, muitas das quais se encontravam à espera de resposta. Por exemplo, em Guimarães, a obra de requalificação e alargamento da Urgência do Hospital. Em Vila Verde, toda a requalificação que está a ser feita e vai continuar na EN 101, bem como o investimento de cerca de 8 milhões de euros no regadio. Em Famalicão, o avanço de um nó rodoviário também fundamental na ligação à zona da empresa Mabor e autoestrada. O avanço da requalificação de muitas escolas e, por exemplo, o investimento que está a ser feito no Parque Nacional da Peneda-Gerês, entre muitos outros. Diria que há um conjunto alargado de investimentos significativos. DM – O setor têxtil vai dando sinais de dificuldades. Que medidas concretas preconiza a lista que encabeça para apoiar a indústria mais expressiva da região? SF – Sim, o têxtil vai dando sinais de dificuldades lá fora, alguns empresários com quem temos contactado dão sinais de alguma preocupação, mas julgo que temos conseguido avançar e investir, as empresas em particular, mas também o investimento do Governo na qualificação, na investigação, na ligação do saber das universidades às necessidades de produção com maior valor acrescentado. Podemos continuar o apoio à internacionalização, que tem sido uma prioridade deste Governo, para que as empresas possam diversificar os seus clientes. Este é o caminho que temos feito e temos que continuar a fazer. DM – Não cabe nessa equação a baixa de impostos? SF – Durante este mandato, houve uma baixa acentuada de impostos, nomeadamente sobre o rendimento. Não no têxtil, mas na restauração houve a redução do IVA, com impacto muito positivo. E a perspetiva é irmos avaliando, ao longo do tempo, quais são as medidas que mais se justificam. DM – Não se justifica aliviar a carga fiscal às empresas e às famílias? SF – Em tese, justifica-se sempre e na prática também, como fizemos. No nosso programa está previsto aumentar o número de escalões de IRS e, por esta via, diferenciar melhor e aumentar a capacidade redistributiva, além de outras medidas de apoio às necessidades das empresas. DM – O distrito mais jovem do país tem a quarta cidade mais cara para os estudantes universitários. Que medidas preconiza para garantir mais habitações para estudantes e mais habitação acessível para as famílias? SF – Essa questão é fundamental nas duas áreas: estudantes e famílias. Houve uma estagnação no investimento em residências universitárias e, por isso, este Governo definiu um plano de alojamento para os jovens, onde estão já definidos uma série de edifícios do próprio Estado, em todo o país, incluindo Braga e Guimarães, que vão ser reconvertidos com esse objetivo. Além disso e porque sabemos que as dificuldades são muitas, há também o objetivo de envolver a colaboração das autarquias para termos uma resposta mais alargada. Em Guimarães já temos um bom exemplo, com a recuperação de um imóvel que vai combinar a oferta de habitação estudantil e ser, ao mesmo tempo, resposta no alojamento acessível para as famílias. E também queremos implementar políticas para a dinamização do mercado de arrendamento acessível em todo o país. DM – O distrito exibe uma distribuição irregular das infraestruturas de saúde e de pessoal médico que origina desigualdades no acesso aos serviços de Saúde, provocando exclusão territorial nos concelhos rurais. Que atitude política reclama esta realidade? SF – Um dos eixos centrais do Governo do PS são exatamente as desigualdades, entre elas a territorial que dita depois a dificuldade de acesso aos mesmos direitos. Esta é uma preocupação muito clara e assumida do nosso programa eleitoral. As realidades no distrito são diferentes, com concelhos onde os serviços hospitalares e acesso aos médicos de família funcionam, e outros onde temos que melhorar, nomeadamente nos concelhos do interior. Reforçamos o investimento no Serviço Nacional de Saúde, por exemplo, em Vieira do Minho vai ser possível construir uma nova Unidade de Saúde Familiar, vai ser reforçado o número de médicos de família e é isto que é necessário continuarmos a fazer. DM – Em seu entender, o distrito está bem ou mal servido de serviços públicos? SF – Está bem servido e foi possível, por exemplo, reabrir os tribunais que tinham fechado na anterior legislatura; na renegociação do modelo de gestão dos CTT o Governo impôs que volte a haver um posto em todos os concelhos; houve reforço das Lojas do Cidadão, com cerca de mais 26 espaços no nosso distrito. Claro que subsistem problemas, mas foi feito um reforço que também beneficiou o distrito de Braga. DM – Em matéria de ambiente e política verde, qual é a sua principal bandeira? SF – Este distrito tem exemplos muito fortes daquilo que se deve fazer pelo ambiente, como, por exemplo, a candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. No entanto, escolheria a questão da mobilidade como central, ao mesmo tempo que a promoção da economia circular no sentido de reutilizarmos durante todo o processo de produção e consumo, evitando qualquer desperdício. Isto, sem esquecer, obviamente, a despoluição do rio Ave. DM – O círculo eleitoral de Braga elege 19 deputados, sendo o terceiro mais importante do país. O que seria um bom resultado para o PS na noite de 6 de outubro? SF – Seria termos a melhor votação de sempre e é para isso que trabalhamos. Não fujo à questão, mas também estar a antecipar resultados é como estarmos a condicionar eleitores e o trabalho da campanha. Estamos a trabalhar, temos noção do trabalho de proximidade que fizemos, ao longo dos últimos quatro anos, pelo distrito, que esta campanha intensifica, e um bom resultado é termos mais deputados eleitos que tivemos. DM – Aspira a um lugar no próximo Governo de Portugal? SF – Não aspiro a nada, a não ser a ser útil naquilo que faço. Portanto, estou disponível para o que o partido entender que posso ser útil, tal como me manifestei disponível quando agora me convidaram. Aceitei, porque tenho condições para o fazer. Se me convidarem para o Governo, aceitarei, porque também acho que tenho condições para o fazer. Se não convidarem, continuarei a fazer trabalho na AR. Perfil Sónia Ermelinda Matos da Silva Fertuzinhos, nasceu em janeiro de 1973 e é natural de Guimarães. Licenciada em Relações Internacionais Económicas e Políticas, compós-graduação em estudos europeus, encabeça pela primeira vez a lista de candidatos do PS às eleições legislativas pelo círculo eleitoral de Braga. Membro Assembleia Municipal de Guimarães e ex-presidente do departamento nacional de Mulheres Socialistas, tem uma vasta experiência parlamentar, com assento na Assembleia da República desde 1996.
Autor: Rui de Lemos