DM – O distrito mais jovem do país tem a quarta cidade mais cara para os estudantes universitários. Que medidas preconiza para garantir mais habitações para estudantes e mais habitação acessível para as famílias?
SF – Essa questão é fundamental nas duas áreas: estudantes e famílias. Houve uma estagnação no investimento em residências universitárias e, por isso, este Governo definiu um plano de alojamento para os jovens, onde estão já definidos uma série de edifícios do próprio Estado, em todo o país, incluindo Braga e Guimarães, que vão ser reconvertidos com esse objetivo. Além disso e porque sabemos que as dificuldades são muitas, há também o objetivo de envolver a colaboração das autarquias para termos uma resposta mais alargada. Em Guimarães já temos um bom exemplo, com a recuperação de um imóvel que vai combinar a oferta de habitação estudantil e ser, ao mesmo tempo, resposta no alojamento acessível para as famílias. E também queremos implementar políticas para a dinamização do mercado de arrendamento acessível em todo o país.
DM – O distrito exibe uma distribuição irregular das infraestruturas de saúde e de pessoal médico que origina desigualdades no acesso aos serviços de Saúde, provocando exclusão territorial nos concelhos rurais. Que atitude política reclama esta realidade?
SF – Um dos eixos centrais do Governo do PS são exatamente as desigualdades, entre elas a territorial que dita depois a dificuldade de acesso aos mesmos direitos. Esta é uma preocupação muito clara e assumida do nosso programa eleitoral. As realidades no distrito são diferentes, com concelhos onde os serviços hospitalares e acesso aos médicos de família funcionam, e outros onde temos que melhorar, nomeadamente nos concelhos do interior. Reforçamos o investimento no Serviço Nacional de Saúde, por exemplo, em Vieira do Minho vai ser possível construir uma nova Unidade de Saúde Familiar, vai ser reforçado o número de médicos de família e é isto que é necessário continuarmos a fazer.
DM – Em seu entender, o distrito está bem ou mal servido de serviços públicos?
SF – Está bem servido e foi possível, por exemplo, reabrir os tribunais que tinham fechado na anterior legislatura; na renegociação do modelo de gestão dos CTT o Governo impôs que volte a haver um posto em todos os concelhos; houve reforço das Lojas do Cidadão, com cerca de mais 26 espaços no nosso distrito. Claro que subsistem problemas, mas foi feito um reforço que também beneficiou o distrito de Braga.
DM – Em matéria de ambiente e política verde, qual é a sua principal bandeira?
SF – Este distrito tem exemplos muito fortes daquilo que se deve fazer pelo ambiente, como, por exemplo, a candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. No entanto, escolheria a questão da mobilidade como central, ao mesmo tempo que a promoção da economia circular no sentido de reutilizarmos durante todo o processo de produção e consumo, evitando qualquer desperdício. Isto, sem esquecer, obviamente, a despoluição do rio Ave.
DM – O círculo eleitoral de Braga elege 19 deputados, sendo o terceiro mais importante do país. O que seria um bom resultado para o PS na noite de 6 de outubro?
SF – Seria termos a melhor votação de sempre e é para isso que trabalhamos. Não fujo à questão, mas também estar a antecipar resultados é como estarmos a condicionar eleitores e o trabalho da campanha. Estamos a trabalhar, temos noção do trabalho de proximidade que fizemos, ao longo dos últimos quatro anos, pelo distrito, que esta campanha intensifica, e um bom resultado é termos mais deputados eleitos que tivemos.
DM – Aspira a um lugar no próximo Governo de Portugal?
SF – Não aspiro a nada, a não ser a ser útil naquilo que faço. Portanto, estou disponível para o que o partido entender que posso ser útil, tal como me manifestei disponível quando agora me convidaram. Aceitei, porque tenho condições para o fazer. Se me convidarem para o Governo, aceitarei, porque também acho que tenho condições para o fazer. Se não convidarem, continuarei a fazer trabalho na AR.
Perfil
Sónia Ermelinda Matos da Silva Fertuzinhos, nasceu em janeiro de 1973 e é natural de Guimarães.
Licenciada em Relações Internacionais Económicas e Políticas, compós-graduação em estudos europeus, encabeça pela primeira vez a lista de candidatos do PS às eleições legislativas pelo círculo eleitoral de Braga.
Membro Assembleia Municipal de Guimarães e ex-presidente do departamento nacional de Mulheres Socialistas, tem uma vasta experiência parlamentar, com assento na Assembleia da República desde 1996.Autor: Rui de Lemos