Diário do Minho (DM)– Nas eleições de 2015 a coligação que juntava PSD e CDS-PP teve a maioria dos votos, 45,61%, elegendo 10 deputados pelo distrito. Agora, com candidaturas separadas acha que CDS-PP vai obter um resultado mais favorável?
Telmo Correia (TC) – Eu espero que o CDS tenha pelo menos, e esse é o nosso objetivo, o mesmo número de deputados eleitos que tivemos, de resto, desde que eu sou candidato pelo distrito de Braga. Não é mérito meu, as circunstâncias, o momento político conta muito para isso e as equipas que formamos também contam muito.
DM – Desta vez as sondagens não são muito favoráveis ao CDS-PP. Mesmo assim, acredita que é possível manter os dois deputados por Braga?
TC – De facto, as sondagens não são muito favoráveis para o CDS, não tivemos o resultado que desejávamos nas últimas Eleições que disputamos (as Europeias), mas acreditámos que é possível inverter essa realidade, acreditamos que há muita gente insatisfeita com aquilo que foram estes quatro anos de governação e que há muita gente que se revê nos valores e no programa político que apresentamos. Esperamos que o CDS contrarie essas sondagens mais uma vez. Eleger dois deputados seria um bom resultado para o CDS, acima disso seria um excelente resultado.
DM – Sente o partido unido e mobilizado em Braga para a campanha eleitoral? As divergências aquando da formação da lista estão ultrapassadas?
TC – Espero que sim, sei que há uma voz ou outra discordante, mas todos os partidos democráticos têm discordâncias na altura da formação das listas. Do que vejo, acho que estou em condições, com a equipa e o apoio que tenho, de fazer a melhor campanha que eu já fiz até hoje pelo distrito de Braga em termos de gente, de apoio, de mobilização, e estou até convencido que consigo fazer uma campanha melhor do que fizemos com a PaF (Portugal à Frente) há quatro anos.
DM – Como é que encarou as críticas do presidente da Concelhia de Braga, Altino Bessa, à escolha do seu nome para encabeçar novamente a lista do partido pelo distrito?
TC – Encarei as críticas do engenheiro Altino Bessa em relação à escolha do cabeça de lista com a mesma naturalidade com que encarei os inúmeros elogios do engenheiro Altino Bessa ao cabeça de lista enquanto ele foi o número dois da lista.
DM – Nas anteriores eleições legislativas, a taxa de abstenção no círculo eleitoral de Braga rondou os 40%. O que é que o CDS-PP está a fazer para contrariar uma possível subida da taxa de abstenção?
TC – As pessoas e as empresas devem ter a noção de que nós vivemos num país que teve durante estes últimos quatro anos o governo mais à esquerda desde a Revolução de 25 de Abril de 1974 e que tem a maior carga fiscal de sempre, ou seja, este governo conseguiu superar o enorme aumento de impostos que tivemos no tempo da troika. Espero que as pessoas percebam isso e que não queiram ter esta carga fiscal e não ter o Estado omnipresente em todo o lado e que isso seja um fator de votação.
DM – A vossa proposta em termos fiscais é arrojada...
TC – Nós queremos baixar o IRS para 15% , queremos chegar já a um IRC de 17 % e continuar a baixá-lo para seguir, por exemplo, o modelo da Irlanda, ao longo da legislatura. Esta é talvez a proposta bandeira do nosso programa político.
DM– O país está em condições de poder baixar os impostos para essas percentagens?
TC – Nós consideramos que é possível baixar os impostos, fazer crescer a economia e ter um melhor apoio do ponto de vista social que é a segunda nossa preocupação no nosso programa.
DM – Há cada vez mais pessoas a querer viver na cidade de Braga, deixando o interior do distrito cada vez mais desertificado. O que é que o CDS-PP propõe para atenuar a saída, principalmente de jovens, dos concelhos mais desfavorecidos?
TC – Nós defendemos uma discriminação positiva do interior, inclusivamente defendemos uma fiscalidade especial para as zonas mais interiores e para o interior do país, ou seja, haver uma alteração especial e condições especiais de fixação, como defendemos soluções específicas até do ponto de vista fiscal para empresas que correspondam a esses territórios, empresas a maior parte delas de âmbito mais rural, ou em nalguns casos, até no distrito de Braga, de âmbito florestal. Acho que é por aí que conseguiremos atrair e fixar as populações e depois conseguiremos ter os serviços indispensáveis para essas mesmas populações.
DM – As acessibilidades, a mobilidade e a descarbonização são temas que estão na ordem do dia e preocupam cada vez mais as pessoas. O que preconiza a este respeito para o distrito o CDS-PP?
TC – O tema da mobilidade tem sido um dos nossos cavalos de batalha. Consideramos que as ligações dentro do distrito não são suficientes e defendemos que deve haver uma ligação ferroviária entre as duas maiores cidades do distrito, Braga e Guimarães. É preciso melhorar essa mobilidade.
É necessário também melhorar o parque automóvel porque nota-se uma degradação grande desse parque automóvel, é necessário investimento que não existe há muito tempo. Por outro lado, é necessário potenciar a sinergia do Quadrilátero Urbano (Braga-Guimarães-Famalicão-Barcelos) e que haja justiça em termos de subsidiação dos passes sociais. Em relação às áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, há uma enorme injustiça e isso prejudica claramente a mobilidade dentro do distrito de Braga.
Do ponto de vista ambiental defendemos uma gestão eficaz e competente da água, defendemos soluções que reduzam a emissão do carbono, mas que isso seja feito com razoabilidade e de uma forma progressiva. Não defendemos soluções utópicas que dizem para acabar com a exploração animal porque aumenta a produção de carbono.
DM – Há duas legislaturas seguidas que é eleito pelo círculo eleitoral de Braga. Que balanço faz do seu trabalho pelo distrito nestes 10 anos no Parlamento?
TC – Globalmente faço um balanço muito positivo naquilo que foi o acompanhamento que eu e a doutora Vânia Dias da Silva, deputada vimaranense, na última legislatura, conseguimos fazer das realidades e questões locais e dos vários problemas em campos tão variados, como a questão da proteção civil, dos incêndios. A minha área setorial como deputado tem sido sempre a administração interna e a justiça e isso leva-me a acompanhar, por exemplo, a questão dos bombeiros, as corporações de bombeiros que temos visitado várias vezes, a questão da proteção civil e também as questões de segurança. Mas temos intervido em muitas outras áreas. Lembro, por exemplo, que fomos dos primeiros a chamar a atenção e a denunciar o fim da PPP do Hospital de Braga, assim como fomos os primeiros em outras coisas como a dar o apoio político à candidatura do Bom Jesus a património da Unesco que chegou a bom porto.
DM – Como vê um possível regresso da “geringonça”?
TC – Se vier a acontecer não faz nenhum sentido. Na nossa opinião, o que faz sentido é que quem fez oposição e quem se opôs a este governo e a esta solução de governo tenha mais votos, o CDS e os outros partidos que representaram uma efetiva oposição. Agora, do ponto de vista do sistema político, há um facto: a partir daqui o que conta é quem tiver maioria no Parlamento, e a direita para voltar a governar terá que ter a maioria dos mandatos no Parlamento.
DM – Acredita ser possível isso acontecer nestas Eleições?
TC – Eu aprendi que em política não há impossíveis e a nossa vontade é que fará contrariar esses impossíveis. As nossas ideias e os valores que nós defendemos serão tanto mais eficazes quanto mais votos nós tivermos e quanto mais mandados elegermos. Eu lembro que a eutanásia não avançou nesta legislatura porque o CDS se opôs desde a primeira hora e porque foi possível somar os votos necessários para chumbar o projeto que fazia avançar a eutanásia.
Perfil
Perfil
Telmo Correia, 59 anos, é natural de Lisboa. Licenciado em Direito e advogado de profissão, encabeça pela terceira vez consecutiva a lista de deputados às eleições legislativas pelo círculo eleitoral de Braga.
Na atual legislatura é vice-presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
É presidente da Mesa do Conselho Nacional do CDS-PP. Foi ministro do Turismo no anterior governo, entre julho de 2004 e março de 2005.
Autor: Jorge Oliveira