Fotografia: DR

Afastado professor de EMRC de Famalicão acusado de abuso sexual de menores

O docente é acusado de 95 crimes de abuso sexual a 15 alunas.

27 Out 2022

Fernando Silvestre, professor de Educação Moral e Religião Católica (EMRC) da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, é acusado pelo Ministério Público (MP) de 95 crimes de abuso sexual a 15 alunas, entre os 14 e os 17 anos. O docente já foi entretanto afastado da escola pelo Ministério da tutela.

O docente, que na prática já não estava a lecionar, tendo apresentado baixa médica junto da direção da escola quando as notícias foram avançadas, foi agora oficialmente afastado da docência «enquanto se aguardam as decisões de ambos os processos», revelou fonte do Ministério ao Jornal de Notícias. Os crimes de que é acusado terão decorrido entre 2014 e 2021, durante os ensaios que decorriam na escola da companhia de teatro que fundou, “O Andaime”, mas também no carro e durante o festival Escritaria, em Penafiel, onde a companhia chegou a fazer performances artísticas.

Segundo a acusação, os ensaios da companhia eram sempre iniciados «com uma fase de aquecimento, durante a qual as portas se mantinham fechadas, as luzes apagadas e os estores da sala corridos, com música a tocar, e compreendiam a realização de exercícios de contracena, durante os quais os alunos fechavam os olhos e seguiam as instruções do arguido, com o objetivo de criar um estado de relaxamento e desinibição psicológica e corporal». Acrescenta que, aproximadamente a partir de 2014, o arguido, «por razões que se prendem com a própria satisfação sexual e aproveitando o facto de ser o único responsável pela companhia, passou a participar dos exercícios de contracena, criando uma maior intimidade e aproximação corporal com as alunas do sexo feminino, de modo a facilitar a manutenção, com as mesmas, de contactos de natureza sexual».

A acusação refere ainda que o arguido «verbalizava de forma frequente às alunas que o contacto físico exigido nos exercícios de contracena era necessário para a desejada evolução como atrizes e, ainda, que tal método não seria compreendido por membros exteriores à companhia, assim as incentivando a não revelar os acontecimentos que tivessem lugar no decurso dos ensaios». O MP diz que o arguido se valeu «do seu ascendente enquanto professor» e se aproveitou da «ingenuidade, imaturidade e falta e experiência sexual das suas alunas» para consumar os abusos. Ainda segundo a acusação, o arguido, no decurso de uma aula de Educação Moral e Religião Católica, mandou os alunos deitarem-se alegadamente para “efetuarem exercícios de respiração” e, com as luzes apagadas, terá acariciado uma aluna.

O juiz de instrução vai agora decidir se o arguido vai ou não a julgamento. Se tal acontecer, vai ser decido ainda por quantos crimes vai ser julgado.





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