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Os comboios turísticos são uma proposta de sucesso para conhecer Ourense de uma forma cómoda, ecológica e económica. A província galega quer atrair cada vez mais visitantes, especialmente oriundos dos destinos de proximidade, entre os quais a região Minho.

Luísa Teresa Ribeiro
8 Out 2022

Cinco rotas com saída da estação ferroviária de Ourense levam os turistas à descoberta desta província galega atravessada pelo rio Minho. Os comboios turísticos têm vindo a destacar-se entre as formas de conhecer este território.

A iniciativa surgiu em 2013, fruto de um acordo de cooperação entre a Renfe, empresa ferroviária espanhola, o Turismo da Galiza e o INORDE – Instituto Ourensano de Desenvolvimento Económico.

A gerente do INORDE, Emma González, refere que o objetivo que esteve na origem destes programas foi «mostrar os recursos turísticos através de uma oferta que possibilita uma experiência diferente ao visitante: a de conhecer o território a partir da perspetiva que o comboio proporciona».

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Foi, então, desenvolvido um pacote turístico que inclui a viagem de comboio até à cidade de partida do percurso escolhido e um roteiro fechado, com visitas orientadas por guias credenciados, que ao longo do percurso vão contando as histórias de cada destino, utilizando um meio sustentável para o ambiente e promovendo o uso dos transportes públicos.

As propostas de Ourense focam-se nas quatro rotas do vinho com denominação de origem que existem na província, para que através delas os visitantes conheçam não só a comida e vinho da região, mas também o seu património natural, cultural, histórico e paisagístico.

«Desde o seu lançamento, ano após ano, esta iniciativa tem sido um sucesso em termos de ocupação», refere aquela responsável. No ano passado, no conjunto de todas as rotas dos comboios turísticos, foi batido um recorde, com a venda de 1.495 bilhetes dos 1.532 que foram disponibilizados (97,6% dos lugares disponíveis). No caso específico de Ourense, a ocupação chegou a 99,6%.

Este ano, no início de junho, aquando da apresentação pública desta temporada, em que o número de rotas passou de 11 para 13, já estavam ocupados 73,2% dos lugares dos percursos desse mês e 26,1% dos 2.697 dos assentos de todo o verão. «Estes dados mostram que os Comboios Turísticos da Galiza são uma iniciativa consolidada, em que nem sequer é necessário apresentá-la para que as pessoas comprem o seu bilhete. Os viajantes compram os bilhetes logo que são postos à venda, para não perderem o lugar», explica.

Comboios turísticos Ourense

Para além da comodidade de não ter de conduzir, o programa prevê bilhetes a 45 euros para adultos e 20 para as crianças, com um desconto de 15% para grupos a partir de dez pessoas.

A programação deste ano começou a 4 de junho e prolonga-se até 15 de outubro, com viagens sempre aos sábados. Hoje, dia 8 de outubro, sai de Ourense um comboio da Rota do Vinho da Ribeira Sacra, que prevê um passeio de barco pelo rio Minho.

O calendário deste ano contemplou as rotas do Vinho da Ribeira Sacra, uma com o rio Sil e outra com o rio Minho; Vinhos de Valdeorras – Ribeira Sacra; Vinhos do Ribeiro – Rias Baixas; e Monterrei. «Os comboios turísticos são a oportunidade ideal para conhecer os recursos turísticos do nosso território, através de uma proposta sustentável e segura», salienta.

Embora ressalve que o lançamento de mais rotas não está a ser tralhado, Emma González adianta que «talvez fosse interessante» apresentar um novo percurso que valorizasse os recursos que estão a ser potenciados no projeto de sustentabilidade turística “Ourense Termal”, que decorre até 2024, prevendo um investimento de mais de 3 milhões de euros.

A gestora põe a possibilidade de, após a concretização de todas as ações previstas nesse plano, ser equacionado um percurso que apresente o termalismo em conjunto com os principais recursos da província, que são a natureza, o património, a comida e o vinho.

«Seria uma forma de diferenciar a oferta turística atual e de dar um novo impulso ao setor termal do nosso território», afirma. Esta responsável refere que a gestão da província se pauta pelo «respeito pelo meio ambiente» e pela «promoção de uma utilização sustentável e circular». Daí que tenha sido lançada, no final de 2021, a marca “OU”, que aposta no turismo de qualidade nos 92 municípios que integram este território.

«Quando lançámos a nossa marca turística “OU”, fizemo-lo associando-a a uma palavra que para nós resume o que é Ourense e o nosso destino: genuíno. E é isso que queremos preservar: a nossa autenticidade. Por isso, continuamos a apostar em propostas que promovam um turismo adequado ao nosso destino: sustentável, que zele pelo bem-estar e garanta a manutenção da essência de quem somos, porque esse é o nosso principal atrativo. Apostamos sempre no turismo de qualidade, e não de quantidade, porque acreditamos que o que a nossa província pode oferecer ao visitante é um território tranquilo, longe das multidões, onde pode explorar os seus inúmeros recursos patrimoniais sem aglomerações, saborear comida e vinho de qualidade e relaxar graças ao termalismo, que é o nosso grande elemento diferenciador», declara.

A gerente do INORDE manifesta satisfação pelas notícias que dão conta de que Ourense está a bater recordes de visitantes, também fruto da chegada dos comboios de alta velocidade e do afluxo de peregrinos aos itinerários jacobeus Via da Prata e Caminho de Inverno neste Ano Jacobeu 2021-22. «Os números mostram que há cada vez mais pessoas que escolhem Ourense. Temos todo o gosto em recebê-los», afirma.

 

Visitantes à descoberta da Ribeira Sacra

A Rota dos Vinhos da Ribeira Sacra e de Valdeorras, um dos 13 percursos deste ano dos comboios turísticos, proporciona uma visita àquele que é considerado um dos lugares mais impressionantes da Galiza.

Com saída da estação de Ourense, este percurso tem a primeira paragem no apeadeiro de Santo Estevo de Ribas de Sil, onde a paisagem do rio encaixado entre montanhas serve de aperitivo para o que espera os visitantes.

Depois de uma pequena deslocação a pé e de um trajeto de autocarro, chega-se ao barco que leva o grupo aos desfiladeiros do Sil, um local marcante pela sua beleza paisagística.

 

O “canhão do Sil” é um dos ex-libris da Ribeira Sacra, sendo esta uma área delimitada pelos rios Minho e Sil, que se destaca pelas suas paisagens naturais e pelos inúmeros mosteiros e igrejas, que teriam estado na origem do topónimo.

Da embarcação é possível apreciar os enormes desfiladeiros e as vinhas plantadas em socalcos, naquilo se designa por viticultura heroica, devido à inclinação dos locais onde as videiras estão plantadas. Os vinhos da Ribeira Sacra são classificados desde 1996 como denominação de origem protegida.

Na etapa seguinte, ruma-se de comboio até ao território da Denominação de Origem de Valdeorras, classificada desde 1945. Após almoço livre em A Rúa, os visitantes vão de autocarro até ao Santuário de Santa María das Ermidas, no vale do rio Bibei, cuja fachada é considerada como uma das melhores obras do Barroco galego.

Depois da visita e prova na adega A Coroa, considerada um exemplo da qualidade do vinho de Valdeorras, segue-se a última paragem na estação de Os Peares, onde existe um museu ferroviário, criado no âmbito do projeto “Estações Vivas”, desenvolvido pelo INORDE para revitalizar estes equipamentos.

A viagem é acompanhada pelas excelentes explicações e atenção permanente das guias turísticas Marián Santiago e Ana Rodal, sendo toda a equipa supervisionada pelo chefe da expedição da Renfe, Juan José Álvarez.




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