Fotografia: DM

Uso da água de quatro albufeiras minhotas suspenso a partir de 1 de outubro

As águas das albufeiras escolhidas para a reserva estratégica vão poder ser usadas se a segurança do abastecimento às populações estiver em causa.

João Pedro Quesado
27 Set 2022

As albufeiras do Alto Lindoso, da Caniçada, de Salamonde e de Vilarinho das Furnas estão incluídas na lista de 15 barragens que vão ter o uso de água restrito a partir do dia 1 de outubro, determinou esta terça-feira o Governo. A intenção é criar uma reserva estratégica para a produção de eletricidade e faz parte do plano de poupança de energia para os próximos meses.

A Resolução do Conselho de Ministros, publicada esta terça-feira em Diário da República, cria uma “reserva estratégica de água nas albufeiras associadas aos aproveitamento hidroelétricos” e determina uma “suspensão temporária do uso dos recursos hidrícos das albufeiras identificadas”, quatro delas na região minhota.

Às albufeiras em território minhoto juntam-se ainda as do Alto Rabagão, Alqueva, Castelo de Bode, Cabril, Paradela, Lagoa Comprida, Santa Luzia, Vilar-Tabuaço, Vendas Novas, Baixo Sabor e Gouvães.

Com vista a fazer face “à atual situação e a eventuais disrupções futuras” no fornecimento de energia e tendo em conta a necessidade reduzir o consumo de gás natural para a produção de energia elétrica, o Governo decidiu determinar a restrição do uso da água nas 15 albufeiras a partir do dia 1 de outubro. 

O objetivo é que “o armazenamento nestas albufeiras atinja, pelo menos, uma capacidade correspondente a um acréscimo de energia elétrica armazenada de cerca de 760 GWh face aos valores globais atuais”, distribuídos de forma proporcional entre as várias albufeiras. A reserva estratégica pretendida é equivalente a cerca de 6 dias de consumo médio nacional, afirma o Governo na Resolução n.º 82/2022.

A albufeira do Alto Lindoso é, das quatro minhotas, a que maior reserva adicional terá, cifrando-se nos 163,3 GWh. Esta diferença deve-se à potência de produção e ao armazenamento potencial “muito significativos”, assim como “o maior volume de energia em falta” e o “maior potencial de reposição por afluência” quando comparada com outras. 

É também no Alto Lindoso que se vai operar o maior acréscimo de armazenamento. Com uma referência estabelecida em 7% do armazenamento máximo, o objetivo final situa-se nos 72%. Já a albufeira da Caniçada deverá passar dos 65% para os 89% de armazenamento, Salamonde subirá dos 57% para os 81% e Vilarinho das Furnas passará de 40% do armazenamento máximo para 64%.

Enquanto a suspensão vai durar “até que sejam alcançadas as cotas mínimas” de capacidade –que têm que ser determinadas pela Agência Portuguesa do Ambiente nos próximos dias –, a água poderá ser utilizada se for necessária “para segurança do abastecimento” às populações.

Para além disto, o Governo determinou e autorizou o investimento no reforço da capacidade de armazenamento de gás natural em Sines, assim como nas estruturas de armazenamento subterrâneo em Carriço, Figueira da Foz. 





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