Espaço do Diário do Minho

Ser ou não ser, uma opção pessoal

15 Jul 2020
Maria Susana Mexia

Os termos “teísmo” e “deísmo” têm o mesmo valor etimológico e deveriam designar as doutrinas que afirmam a existência de Deus, mas o uso que delas se foi fazendo levou a distingui-las e mesmo a opô-las uma à outra, não tendo agora um significado unívoco.
O teísmo é um sistema ortodoxo que contém integralmente a Teodiceia cristã, em oposição ao ateísmo e ao panteísmo; pelo contrário o deísmo é uma concepção racionalista da divindade que tem por base a razão humana e não a Revelação divina.
Sofrendo várias nuances desde o século XVII até aos nossos dias, minimizando, pouco a pouco, a divindade, o deísmo hoje é um sistema que se aproxima mais do ateísmo e do panteísmo, na medida em que não admite a existência de um Deus criador.
Do ponto de vista filosófico, deísmo e panteísmo são duas vertentes de ateísmo, representam um teísmo verbal, na medida em que usam a palavra Deus, mas são um ateísmo substancial, chamando Deus a algo que não é Deus.
Se alguns filósofos afirmam que Deus é a Ideia, ou o Progresso, ou a Humanidade ou o Inconsciente, só podemos reconhecer que isso é um absurdo, na medida em que não podemos orar, adorar ou invocar esses conceitos, que têm por fim fazer uma caricatura da religião e ao mesmo tempo rejeitá-la, substituindo-a pela idolatria.
O panteísmo em sentido amplo no qual Deus se identifica com o mundo, é uma perspectiva ateia e materialista, na medida em que não reconhece a existência de um Deus Criador e Transcendente, mas considera-o diluído na matéria, dotada de uma força de energia vital que se desenvolve a partir de si mesma, com leis próprias.
Esta concepção ateia de Deus ou panteísmo cósmico ausente de dogmas e superada de espiritualidade, constitui a perspectiva e a interpretação de simbolismo do “ Grande Arquitecto do Universo”, o qual não é Deus e muito menos o Deus da Igreja Católica. A tradição maçónica exige a crença em Deus ao mesmo tempo que atribui o nome de Deus ao que não é.
Na sua essência, a maçonaria é filosófica e religiosamente ateia, o Deus teísta não existe para eles. Qualquer norma e princípio são tirados exclusivamente de dentro do homem, única instância que reconhecem como autoridade moral e que eleva o homem como centro e medida de todo o universo.
Esta independência e autonomia ética da maçonaria, traduz-se num relativismo, absolutizando o homem como fonte da sua moral, a qual é aberta, laica e sem referência a qualquer tipo de religião, prescindindo assim duma relação de matriz transcendente para os seus actos, ignorando o conceito de pecado, o sentimento de culpa e aceitando como “verdade” toda e qualquer interpretação pessoal, consciente e considerada com dever humano e natural.
A crença na absoluta autonomia da razão, no livre pensamento e na livre decisão, são princípios maçónicos que emancipam os seus seguidores de qualquer vínculo divino, providencial e balizador da humanidade.
Se a essência da maçonaria é o naturalismo e a essência do cristianismo é a vida sobrenatural, são dois caminhos opostos, cabe ao homem a decisão e a responsabilidade da sua escolha, dentro da liberdade que lhe assiste, considerar-se filho de Deus, ou assumir-se como uma partícula racional do universo.



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