Fotografia: Nuno Cerqueira
🎥 D. Jorge Ortiga desafia fiéis a «semearam dignidade, pão, vida e educação»

Arcebispo de Braga.

Redação
25 Dez 2018

O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, desafiou hoje, na “Missa de Natal” na Sé Catedral de Braga, os fiéis a «semearam dignidade, pão, vida e educação», lembrando que «não há necessidade de procurar muito pois as situações de carência estão à tua porta», referiu o Arcebispo Primaz.

No final do rito, decorreu a tradicional cerimónia de “dar o menino a beijar”.

 

Homilía de D. Jorge Ortiga: O Natal é um dom de Deus para o qual nos preparamos ao longo destas semanas. É, por isso, um tesouro a ser acolhido com todo o cuidado e a ser partilhado. Uma partilha serena e com a perseverança de quem semeia e aguarda pelos frutos. Este ano quero adaptar um texto que me foi enviado e, com ele, dizer que o Natal é uma semente a ser lançada pelos cristãos para o nascimento de um mundo diferente.

Já caminhámos na rota da esperança durante um ano, mas ela de pouco nos servirá se não for semeada com perseverança para dar frutos. De pouco nos servirá a esperança conquistada se não formos capazes de “tecer comunidades onde todos se sintam acolhidos”. É preciso não ter medo de dar o passo em frente e, mais do que cumprirmos uma missão, sermos nós próprios missão, em todos os pormenores da vida.

Ergue os teus braços, irmão, e semeia. Semeia sempre!

Semeia na terra quente e seca regada pelo teu suor, semeia na tempestade, mas semeia! Espalha flores, sorrisos, canções de paz e alento. Não esqueças de partilhar tantas coisas supérfluas que podem tornar multidões felizes. Semeia, ainda que digam que as tuas sementes serão espalhadas pelos homens e pelo vento, que serão dispersadas e perderás tempo. A floresta cresce e reveste-se continuamente assim.

Semeia, semeia sempre!

Ainda que o ribombar dos canhões faça tremer a tua mão e o medo queira apoderar-se de ti. As sementes não possam escolher o seu chão. Semeia meu irmão! Ainda que o solo pareça recusar as sementes, que os críticos se refugiem em condenações inoportunas e desanimadoras. Ainda que as sementes não prometam fortes searas, acredita que não podem ser os resultados a motivar-te para a missão.

Semeia, semeia sempre!

Ainda que o solo, algures, esteja crivado de minas e balas. Ainda que alguns queiram prender-te os braços e impedir-te de semear. Ainda que o barulho seja estridente e saibas que a concorrência parece levar a melhor.

Semeia, irmão! Semeia sempre!

Ainda que chamem louca a essa tua vontade insistente de semear, queiram emudecer a tua voz e fazer-te calar. Nesta vasta seara chamada terra, semeia sobretudo a esperança, a liberdade, a fraternidade, a justiça, a concórdia e a paz. Semeia pão, vida, educação. Semeia dignidade e não tens necessidade de procurar muito pois as situações de carência estão à tua porta. Semeia sonhos, noites tranquilas, madrugadas serenas, manhãs claras, tardes amenas. Acredita que o teu futuro dará frutos. Semeia asas para voar e braços estendidos para a todos abraçar.

Com a tua oração, com a tua entrega — o teu amor,

Semeia participação e intervenção ao amanhecer e terás desenvolvimento integral numa sociedade hedonista, de consumo. Semeia generosidade e carinho e terás crianças felizes. Semeia formação humana e espiritual e terás empregos dignos para famílias felizes. Semeia ocupação e terás pessoas realizadas.

Semeia sobretudo a Bendita Palavra de Deus. Ela que nos diz que no “princípio criou Deus o céu e a terra” e que agora continuará a criar corações novos para uma sociedade nova.

Semeia Jesus Cristo – Pão e Palavra e semearás amor e esperança segura. E terás pessoas respeitadas e a quem reconhecem a dignidade!

Obrigado, Senhor, por nos fazeres semeadores! Obrigado por nos dares terra ansiosa pela semente! Que o Teu espírito incendeie toda a terra — o coração de todos os homens. “Vem, Senhor Jesus”. Nasce no coração dos crentes das nossas comunidades e que estas testemunhem um amor acolhedor das feridas, sofrimentos das periferias humanas.

Fica connosco, Senhor!

Na paz amorosa das famílias, na compreensão e inter-ajuda entre os vizinhos, no perdão de todas as ofensas, na escuta e acolhimento de quem procura aflitivamente compreensão e alívio. Na comunhão promovida em todas as actividades paroquiais.

Faz-nos, Senhor, verdadeiramente “instrumentos da vossa paz!”.

Que aceitemos, como necessárias, as incompreensões, o pensar diferente, os sofrimentos do caminho. Que as saibamos transformar neste estilo pascal que deve caracterizar as nossas vidas. Que saibamos ver que a pedra necessita de ser amaciada pela intervenção dura dos picos e das máquinas, para ser pedra boa para a construção. Só assim saberemos ser missionários que aceitam ser pedra activa na criação de comunidades renovadas.

Senhor! Queremos ser pedras vivas da Tua Igreja, promovendo a tolerância, a compreensão, a comunhão entre todos, o trabalho desinteressado nas comunidades e a alegria de ser testemunho do Evangelho nos lugares onde vivemos.





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