Os pais, enquanto primeiros educadores dos filhos e segundo a ordem natural das coisas, são os principais responsáveis pela educação dos seus filhos. Ninguém os pode substituir nesta sua missão nem lhes pode usurpar esse direito.
Os pais são cidadãos, contribuintes e consumidores de pleno direito. Ora, é neste tríplice papel que se relacionam com as escolas em função da defesa dos interesses, dos direitos e das obrigações dos seus filhos. Abdicar desta sua missão e entregá-la, por inteiro, a outros profissionais é demitir-se do exercício da sua cidadania que implica uma relevante participação na tomada de decisões escolares.
A legislação reconhece esses direitos dos pais. Portanto, a escola deve incluí-los nas estruturas participativas e na experiência pedagógica, de acordo com a lei, mas eles também têm que respeitar os direitos e as obrigações de todas as outras partes. Os estudos realizados nas últimas décadas sobre esta temática revelam que o envolvimento parental, dentro do seu papel específico, exercido racional e democraticamente, está relacionado, de um modo positivo, com a qualidade do ensino.
Nas sociedades evoluídas, os alunos vivem num mundo ecológico que inclui vários cenários interdependentes, tais como, a família, a escola, os grupos de amigos, os vizinhos e as comunidades. A ausência de comunicação entre as várias instâncias do processo educativo pode originar ruturas em todas as outras.
Quando a escola não interage com os restantes quadros do mundo ecológico escolar, podem surgir descontinuidades que enredam a integração e o desenvolvimento do sistema. Se quisermos introduzir melhorias no mundo do discente, não podemos ignorar nenhum destes possíveis cenários, pois só uma intervenção integrada e equilibrada é capaz de elevar o processo para níveis superiores de ajustamento.
Os pais, enquanto intervenientes fundamentais da área familiar, precisam de interagir continuamente com a escola, com os grupos de amigos e com a vizinhança. O envolvimento dos encarregados de educação no palco onde se move o mundo estudantil dá-lhes poder e influência que lhes permite um melhor conhecimento dos seus papéis e das suas competências.
Assim, terão as condições ajustadas para ajudarem os educandos a crescer de uma forma saudável e harmoniosa. O desempenho dos direitos por parte dos pais ou dos outros encarregados de educação é também uma forma de lhes proporcionar o domínio das competências necessárias ao exercício da cidadania.
Quando os pais participam em reuniões ou as orientam, redigem relatórios ou atas, estabelecem contactos com as autoridades escolares, usando, assim, certa influência na tomada de decisões, estão também a aprender a exercer o seu poder político-social. Nesta medida, a participação dos pais é, do mesmo modo e em si mesma, uma forma de se educar ou de se formar a si próprios.
A escola é a instituição ideal para o exercício da cidadania. Ela é uma instituição comunitária ao alcance direto dos pais. Estabelece, pois, uma relação de vizinhança com as comunidades que serve.
O envolvimento familiar na escola também ajuda a melhorar a expetativa e a motivação dos docentes e dos outros agentes educativos. A família é um dos fatores de grande peso no sucesso educativo dos filhos.
Os melhores resultados escolares são obtidos, regra geral, por estudantes pertencentes a famílias que se esforçam por lhes estimular uma série de posturas, de virtudes humanas, de métodos racionais de estudo, bem como de um regulamento com horas para estudar, para brincar e para outras atividades de lazer.
Autor: Artur Gonçalves Fernandes