Espaço do Diário do Minho

Mulheres e homens para 2018
7 Jan 2018
Eduardo Jorge Madureira Lopes

Por esta altura, multiplicam-se os balanços. Podem servir para selecionar as palavras ou os números do ano; os acontecimentos; os concertos, as exposições, os filmes e os livros; as personalidades. Entre o fim de um ano e o início de outro, foram várias as publicações que quiseram chamar a atenção para mulheres e homens do passado e do presente que poderão ser inspiradoras em 2018.

A revista Psychologies elegeu “20 mestres de vida”. A lista inclui gente muito variada: uma filósofa, Hannah Arendt; um cientista, Albert Einstein; um santo, Francisco de Assis; uma judia morta num campo de concentração, Etty Hillesum; um psicanalista, Jacques Lacan; um filósofo, Emmanuel Lévinas; um aviador e escritor, Antoine de Saint-Éxupery; e uma santa, Teresa de Ávila.

Outra revista, Le Monde des Religions selecionou “22 mestres de sabedoria”, apresentados como “fontes de inspiração intemporais”. A lista começa em Confúcio e termina em Thich Nhat Hanh, um monge budista. Pelo meio há sábios judaicos, Baal Shem Tov ou Martin Buber; cristãos, Hildegard von Bingen ou Francisco de Assis; e islâmicos, Ibn Arabi. Outros, como Ramana Maharshi, Jiddu Krishnamurti, Mahatma Gandhi e Ma Andanda Moyi, vêm do Oriente. De África, chega Nelson Mandela e, dos Estados Unidos da América, Martin Luther King.

A escolha da Aleteia recaiu nas 10 pessoas que deram a vida pelos outros em 2017. Uns não são totalmente desconhecidos. É o caso de Ignacio Echeverría e de Henri Burin des Roziers. O primeiro, “o ‘herói do skate’ dos atentados de Londres”, no dia 3 de Junho, em vez de fugir, enfrentou e lutou contra um terrorista, salvando assim a vida de várias pessoas que conseguiram escapar. Morreria depois esfaqueado por outros terroristas.

O segundo, “advogado dos camponeses no Brasil” defendeu os camponeses injustamente presos, torturados e, muitas vezes, assassinados e as suas famílias. Conseguiu, no ano 2000, que, pela primeira vez, um fazendeiro fosse condenado pelo assassinato de um líder sindical, o que lhe valeria abundantes ameaças de morte, tendo sido prometida uma recompensa de 50 mil reais a quem o matasse. Burin des Roziers morreu em Paris em Novembro.

Sobre, por exemplo, Gaetano Nicosia, “o ‘anjo dos leprosos’ na China”; Sudha Varghese, “a libertadora das ‘intocáveis’ na Índia”; Marta Mya Thwe, “a ‘Madre Teresa da Birmânia’”; Christopher Hartley, que quer levar água potável aos etíopes; Rafała Włodarczak, “‘mãe dos órfãos’ do conflito entre palestinianos e israelitas”; Rosemary Nyirumbe, que luta por um futuro digno para as meninas-soldado do Uganda; e Paolo Cortesi, acolhedor de refugiados; terá sido difícil ter lido ou escutado alguma notícia.

A revista Géo apresenta um número especial sobre os “heróis que mudam o mundo”, dando conta do trabalho admirável que empreendem em cinco áreas. A “preservar a Terra”, encontram-se Sarah Toumi, que quer reverdejar a Tunísia e dar trabalho às agricultoras; Cary Fowler, criadora, na Noruega, de um “cofre-forte” da biodiversidade, que recebe sementes do mundo inteiro; e Valérie Cabanes, uma jurista que defende povos autóctones face aos abusos das multinacionais mais poluentes.

A “melhorar o quotidiano”, estão Bunker Roy, fundador de uma ONG indiana que dá formação em engenharia solar a mulheres analfabetas, para iluminar as povoações isoladas e desprotegidas; e Jack Sim, que se bate para que toda a gente tenha acesso a quartos de banho. A “transformar o espaço urbano”, estão Kimbal Musk, um pioneiro da agricultura urbana nos Estados Unidos da América, e Daan Roosegaarde, um designer que concebeu torres despoluentes para tornar as cidades mais belas e mais limpas.

A “cuidar dos vivos”, apresentam-se Conor Walsh, um sobredotado da robótica médica, que forjou um dispositivo que recupera mais rapidamente as vítimas de AVC; Andrew Bastawrous, que salva os olhos com um smartphone, ao diagnosticar atempadamente as patologias oculares das populações africanas isoladas; Alain Brunet, um psicólogo empenhado em curar traumas; e Mehmet Yigit, um químico que concebeu um teste rápido e barato para despistar o vírus do Ébola.

Por fim, a “defender uma ética”, temos Latifa Ibn Ziaten, uma mãe que se tem manifestado contra a radicalização islamista; Laxmi Agarwal, uma indiana que, depois de ter ficado desfigurada por causa de um ataque com ácido, decidiu ajudar as mulheres a quem ocorreu o mesmo; e Silva Watt-Cloutier, um esquimó empenhado em salvar os povos do Árctico.

Não falta gente que vale a pena conhecer, mulheres e homens exemplares, que ajudam a construir um mundo melhor.



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