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Esta é a semana que celebramos o nascimento de D. António de Castro Xavier Monteiro, ocorrido a 1 de Dezembro de 1919. E este foi ano em que transcorreu o cinquentenário da sua vinda para Lamego, verificado a 8 de Outubro de 1972.
Assim sendo, o mínimo que podemos fazer é recordar a gratíssima figura que foi o senhor Arcebispo-Bispo de Lamego.
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Não só pelo tempo passou entre nós: 28 anos (1972-2000). Não só pela obra e pela palavra.
Mas sobretudo pelo testemunho e pelo exemplo. Pela forma como entregou a vida e abraçou a missão. Pela forma como encarou a doença e se preparou para a morte.
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E se as primeiras recordações dificilmente se apagam, são as últimas impressões que jamais se extinguem.
O senhor Arcebispo chegou à Diocese com fulgor de mestre. Esteve na Diocese com coração de pastor. E despediu-se da Diocese com um imperecível olhar de pai.
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Efectivamente, quem o acompanhou pôde verificar que, ao aproximar-se o fim, o senhor D. António quase não falava.
Mas não deixava de comunicar. Acima de tudo, com o olhar.
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Era um olhar sofrido. Mas também um olhar sereno. Um olhar que nos fixava e prendia. Era, enfim, um olhar de pai.
Em tudo, mostrou ser um verdadeiro aristocrata: mais pelo porte do que pela ascendência.
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Há, entretanto, um elemento que não ainda será suficientemente conhecido e que ele — sobretudo em privado — gostava de assinalar.
Trata-se do cruzamento que teve com o então Arcebispo de Cracóvia, futuro Papa João Paulo II.
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É que, quando D. Karol Wojtyla foi nomeado Bispo Auxiliar (1958), fizeram-no titular de Ombi, que corresponde à actual cidade de Com Ombo, no Egipto.
Ao assumir a Arquidiocese de Cracóvia — em 1964 —, a titularidade de Ombi ficou vaga. Quem a ocupou foi precisamente o senhor D. António de Castro Xavier Monteiro, que nesse mesmo ano seria nomeado Bispo Auxiliar de Vila Real.
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Por conseguinte e como ele costumava gracejar, foi sucessor de um Papa, no caso aquele que que viria a ser João Paulo II.
Ambos foram titulares de Ombi.
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Não deixemos apagar o seu rasto e honremos sempre o seu legado.
Seria impensável esquecer quem nunca nos esqueceu.
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D. António nunca esqueceu Lamego durante a vida. Que Lamego não se esqueça de D. António após a sua morte.
Quem vive como D. António viveu, sobrevive para sempre. Que a sua memória continue a iluminar a nossa história!
Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira