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Assim não!

Há dias, o dr. Costa nomeou mais um amigo para o seu governo. Já não é novidade para ninguém. Deveria sê-lo, contudo, mas não é, porque o chefe do PS tem construído os seus governos baseado em critérios muito pessoais, quando os critérios desejados seriam de rigor e de qualidade. De arreganho e de responsabilidade. Por isso, não me parece que se vá emendar. O número de casos polémicos que tem aparecido na Comunicação Social é inusitado. Este político tem feito bem o trabalho de colocar, nos lugares chave da administração publica do país, as “pessoas da sua inteira confiança” (amigos e familiares de amigos) em detrimento de escolha de homens e de mulheres com capacidade de enfrentar os problemas, com competência para os resolver ou com outros parâmetros que se ajustam às exigências de um país comunitário.   1 - O que causa engulho para um observador social atento é que, mais uma vez, o nomeado de agora arrasta consigo uma nódoa de dúvidas e de suspeitas em dois processos de criminalidade económica-financeira relativos à sua acção como Presidente da Câmara Municipal de Caminha. E o incompreensível nesta trama, é que, o dr. Costa sabia bem e antecipadamente que o ex-edil era arguido, embora este facto estivesse escondido da opinião pública e publicada. Ao ser portador dessas nódoas, em política, têm os seus efeitos paradigmáticos. Mesmo assim, o dr. Costa desafiou a decência política e os valores democráticos, como a transparência, com toda a naturalidade do mundo, agindo como em Portugal vigorasse um regime sem oposição para fiscalizar os actos governativos, não se prestasse contas a ninguém e que a Comunicação Social estivesse cega, surda e muda. Convém que os políticos percebam e que tenham sempre presente que maioria absoluta não significa poder absoluto. Mas, aqui, parece!   2 - Neste caso, da nomeação, o dr. Costa comportou-se como o dono disto tudo, apesar das ondas encrespadas que surgiram de todos os lados, até vindas do seu próprio partido. Pois, estes actos anómalos e absurdos incomodam e abalam fortemente a saúde e os valores da democracia. Nem a ética republicana escapou à sua teimosia, nem acalmou a prepotência exibida. A arrogância veio também ao cima, como é seu timbre.   3 - Todos sabemos e temos consciência do estado deplorável das finanças nacionais. O Estado está tremendamente endividado e os números não param de subir, estando a fasquia dos 300 mil milhões de euros no horizonte; as empresas estão descapitalizadas; as famílias, muitas e muitas famílias, estão a viver um grande sufoco com a subida exponencial e imparável dos juros na habitação. Têm, além disso, outros créditos para pagar, como as moratórias do tempo da pandemia. As autarquias locais estão a levar as dívidas para patamares insuportáveis, havendo já municípios em estado de falência técnica. Este é o cenário assustador que pinta o país. Ninguém escapa a esta sina lusa. E o mais curioso desta problemática que ofusca o futuro das gerações vindouras, é que, é proibido falar em “austeridade”, palavra maldita, decretada pelos socialistas, para apagarem da memória colectiva o desastre de 2011 com Sócrates. As empresas, as pessoas, as famílias que adoptam no seu quotidiano a estratégia da “austeridade”, como forma de vida e de boa gestão, têm melhores condições e muitas mais hipóteses de enfrentarem os problemas e de vencerem as dificuldades que se deparam a todo o momento. Quem for pela via do pagode, da propaganda, do deixa andar, da distribuição gratuita encontrará muitos escolhos que impedirão uma caminhada segura e tranquila no seu dia-a-dia.   4 - O dr. Costa atribuiu ao episódio, em que o Presidente da República dá um ralhete à ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, a propósito da fraca execução dos Fundos do PRR, “momento de criatividade ...”. Este comentário, na minha perspectiva, demonstra o dúbio respeito pessoal e o distanciamento político que o dr. Costa tem pelo cidadão Marcelo Rebelo de Sousa. Em vez de tomar boa noite do recado dado, desvalorizou-o para não lhe reconhecer a verdade de facto, a pertinência e actualidade da fraca execução, rotulando-o de soslaio e disfarçadamente de uma “graçola” vinda de uma pessoa que fala demais, fala quando não deve e fala, muitas vezes, desacertado. A verdade política é que já há muita gente que não leva o Presidente a sério e muito menos o que diz pela forma pouco recatada como este personagem intervém no mundo político-social. O que é pena!
Autor: Armindo Oliveira
DM

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13 novembro 2022