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A caixinha de sugestões para o S. João de Braga

A edilidade bracarense, gerida por Ricardo Rio, nomeou para mais um quadriénio na presidência directiva da Associação de Festas de São João um jovem licenciado em Filosofia e mestre em Património e Turismo Cultural.

Apesar dos seus conhecimentos académicos sobre a história cá do burgo, parece nem sempre fazer jus às tradições que representam a romaria sanjoanina, a mais importante no coração do Minho, conforme a herança deixada pela primeira comissão de festas, instituída em 1893.

No passado recente, as Comissões de Festas de São João eram constituídas por um vasto leque de bracarenses de todas idades e estratos sociais, sem matriz de “cargos municipais”, de assessoria ou quesitos curriculares de licenciatura para o desempenho, vingando simplesmente a ideia de fazer a principal festa da cidade para todos e com todos. Ou seja, palmilhar a centralidade de um São João minhoto em toda a sua vertente popular, vivido com intensidade de alegria e menos comercial.

Para a caixinha de sugestões contributivas para um São João mais anímico, bem organizado na estrutura disciplinar, ordenado e limpo, parece oportuno sensibilizar os “manda-chuva” para reflectirem sobre um plano estratégico adequado na colocação dos postos de cerveja e bebidas espirituosas, rejeitando a ideia afluente destes pequenos mamarrachos junto aos canteiros da avenida da Liberdade. Tratam-se de um estorvo à circulação harmonizada dos transeuntes que, em determinadas situações, se empurram para abrir caminho.

O excesso de barulho tem sido um pecado, indubitável, pela consequência acústica que provoca sobre as dezenas de escritórios de profissões liberais e do comércio estabelecido na zona abrangente.

Ainda que seja óbvio que é dia de festa, com concertinas, cavaquinhos, martelos de todos os tamanhos, e alho-porro irritável no calor da época sazonal de verão... Também é possível uma triagem, de modo a que se possa, dentro do possível, agradar a “gregos e troianos” na correlação de consensos desejáveis nos decibéis.

Repetitivamente torturante são as latrinas e dormitórios ambulantes nas traseiras das habitações próximas da Igreja de S. Lázaro, que em muito prejudicam o lar de internos de terceira idade que ali existe. São duas semanas dolorosas e inconcebíveis. É preciso para abrir uma janela ou a porta da varanda, já que a casa é logo invadida por maus cheiros repugnantes.

Há sinais de clara ausência de higienização daquele equipamento para as necessidades fisiológicas, agravado pela falta de civismo dos que usam os espaços verdes para defecar ou alívio da bexiga.

A Ponte de S. João e a zona sul da avenida da Liberdade são espaços exíguos de limitação para tanta oferta de comércio ambulante, licenciado ou não, pondo em risco a circulação das pessoas que usam o espaço destinado ao automóvel, com todos os riscos que daí advêm.

Se Associação de Festas do São João de Braga tem como apanágio o incontestável lema “que… seja uma festa dos bracarenses para todos os bracarenses…”, chegou agora o momento crucial de se sentarem todos à mesa para um debate coerente de ideias, na correcção dos pontos negros que assombram o desconforto e o desagrado de todos os bracarenses vulneráveis e interrompidos do seu regular quotidiano durante três semanas do mês de Junho.

Um São João de Braga, uma estonteante festa principal da cidade, “dos bracarenses para todos os bracarenses” implica inegavelmente e estritamente pensar em toda a sua comunidade residencial na melhoria dos pontos negros consequentes da organização do evento sanjoanino.


Autor: Albino Gonçalves
DM

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19 fevereiro 2018