Em 1951, fazendo agora 75 anos, foi fundada, em Braga, uma revista jurídica com sede na célebre Livraria Cruz, situada na Rua D. Diogo de Sousa.
Tomou o nome de SCIENTIA IVRIDICA e nela se escrevia a abrir que : “Por sugestão de um grupo de Juristas, a LIVRARIA CRUZ & C.a, Lda de Braga empreendeu a edição desta revista com o fim de promover o intercâmbio cultural de Portugal e Brasil, a ligação mais íntima entre a Universidade e o Foro e o progresso da Ciência que dá o nome à publicação”.
Para ver da importância desta criação importa ter presente que, na altura, apenas se formavam juristas em Coimbra, na centenária Universidade e em Lisboa só a partir de 1911, depois da implantação da República.
A Revista afirmou-se desde cedo com a colaboração de ilustres juristas portugueses e com profunda ligação ao Brasil.
De entre os juristas professores de Direito salientavam-se Álvaro Machado Vilela, natural de Vila Verde, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e honorário da do Rio de Janeiro, Guilherme Braga da Cruz, bracarense, também catedrático da Faculdade de Direito de Coimbra, Manuel Gomes da Silva catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa e José Pedro Galvão de Sousa, catedrático da Faculdade de Direito de São Paulo, manifestando-se desde cedo a ligação da Revista ao Brasil. Jovens magistrados estavam igualmente ligados à Revista, tendo nela um papel de especial relevo, tais como Américo Campos Costa, Ricardo Lopes, José António Braga da Cruz e Francisco José Veloso, grande animador deste projeto editorial ao longo de várias décadas
Em 1953, a Revista restaurou, em boa hora, a Associação Jurídica de Braga (AJB) , que tinha sido criada em 1835, dentro do espírito liberal, mas com vida efémera. Por via dessa restauração a SCIENTIA IVRIDICA (SI) passou a ser órgão da AJB, mas sem prejuízo da sua “autonomia e propriedade”, que se manteve fundamentalmente nas mãos do Conselheiro Francisco José Velozo em estreita ligação com a Livraria Cruz. Assim ocorreu até 1990.
O Conselheiro Francisco José Velozo, diretor da SI, teve a visão necessária para intuir que depois do fim da sua vida a Revista corria sério risco de desaparecer e entendeu, em consonância com a Livraria Cruz, que a melhor solução era doá-la à Universidade do Minho (UM) , com vista à criação de uma Escola de Direito, o que se concretizou por ato que a Revista assinalou.
A Revista é assim propriedade da UM há 36 anos e manteve-se sempre com publicação regular. Aliás, a SI ao longo dos seus 75 anos de vida nunca sofreu descontinuidade na sua publicação. É atual diretor o Presidente da Escola de Direito, Professor Marco Carvalho Gonçalves.
Hoje, dadas as modificações tecnológicas tem uma edição virtual, mas sem prejuízo de editar exemplares impressos, quer para os assinantes que assim continuam a desejá-la, quer para chegar às bibliotecas principais do país que têm direito a recebê-la.
Estes 75 anos da SI são comemorados esta 6.ª feira, dia 16 de Outubro de 2026, pelas 14,30h, em sessão aberta ao público, na Escola de Direito com uma intervenção de Miguel Teixeira de Sousa, Professor Catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa e uma mesa redonda com a presença de diretores e representantes das principais revistas jurídicas portuguesas, encerrando a sessão o Presidente da Direção da Associação Jurídica de Braga, o magistrado António Estelita de Mendonça.
Será apresentado o índice provisório dos últimos 25 anos da revista por sumários, autores e assuntos e ocorrerá também uma exposição das revistas jurídicas portuguesas atuais e por ela se verá que se publicam atualmente em Braga sete (7) revistas jurídicas, demonstrando o dinamismo jurídico desta cidade.