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Capitão dos nossos imortais

Nas últimas três décadas, Cristiano Ronaldo é a figura lusa com mais influência no Mundo. Poucas figuras, como António Guterres, Mário Soares, Eusébio, Luís Figo, Amália, Paula Rego e Saramago, são reconhecidamente personalidades marcantes da nossa política, cultura e desporto, mas, claramente, que CR7 é ímpar, pela projeção do nome do nosso País e pelo impacto social que tem, principalmente, na juventude, de todo o mundo. 

Este imbróglio dos últimos dias, não se deve só ao “aquecer sem entrar” ou à “falta de palavra do JJ”. Existem outros fatores que têm influenciado, nomeadamente, a saliva do ódio de uma imprensa ávida de “sangue”, a insistente falta de respeito pelo atleta, que pede, insistentemente, a sua “cabeça” e o decalcar das dúvidas na sua performance, mas também pela instigação ao ódio nas redes sociais, pelas muitas acusações perturbadoras, pela ingratidão, ou seja, um conjunto de atitudes que ferem quem tanto representa. Claro, que CR7 já não é o mesmo, mas não deixa de ser uma referência única, de elevado nível desportivo e humano.

Confesso que já me aflige a quantidade de comentadores televisivos que alegando “fontes fidedignas”, cheios de “achismos”, conspurcando com raiva e muita inveja, o bom nome das pessoas nesta novela. Claro que, quer CR7, quer JJ, tiveram erros de comunicação e de postura, que levaram a extremar uma situação, que sabe-se, entre linhas das comunicações, que é fruto de um polvo, cujos tentáculos foram projetados com a mistura de alguma promiscuidade de interesses, influências, dependências e favores. O atleta CR7, na minha opinião, cometeu três erros graves (porque os remates para fora não contam…): 1) Na primeira vitória contra a Noruega, foi embora sem partilhar, enquanto capitão de equipa, uma vitória muito importante, quer com os colegas, quer com o público; 2) Abandona o estágio, na véspera de um jogo, deixando, enquanto capitão de equipa, os seus colegas entregues a uma situação muito precária, que seria pior se tivessem perdido; 3) Torna pública uma “exigência” de leitura de oito pontos que o treinador deveria ter feito em plena conferência de imprensa. Nas três circunstâncias, a individualidade sobrepôs-se ao coletivo e à nação. Sendo capitão, experiente e referência, deveria ter feito diferente e muito melhor, de forma a honrar a nação que representa.

Muitos apontam a JJ o erro de pôr a aquecer CR7, 30 minutos, sem o colocar a jogar. Na minha perspetiva isso não é erro nenhum. Faz parte. Poderia ter gerido… eventualmente. O principal erro é a forma como comunica, pois, permanentemente, assume o papel exclusivo do “eu” em detrimento de uma equipa técnica e da própria seleção nacional. Quando a expressão é de imposição, como “aqui, quem manda sou eu!”, “não peço desculpa a ninguém!”, há algo de incoerente com uma boa liderança. A humildade é uma qualidade humana e não uma fraqueza!


 


 

Carlos Dias

Carlos Dias

9 outubro 2026