No artigo anterior disse que o capitalismo, apesar do enorme contributo que trouxe para a prosperidade e bem-estar da humanidade desde meados do séc.XVII, é o conceito mais atacado, distorcido e caluniado no debate público global. A esmagadora maioria dos argumentos de que é alvo são falaciosos e devem ser desmontados, sendo esse o propósito desta série de artigos. No artigo anterior ainda esclareci que capitalismo e compadrio (ou crony capitalism) são conceitos muito distintos – praticamente opostos. Vamos continuar.
É falso, o argumento de que as empresas privadas são "egoístas", porque funcionam a pensar no lucro. Pelo menos desde 1776 (quando Adam Smith publicou o seu livro sobre a riqueza das nações) que é sabido que essa questão tem uma solução fácil de entender: submeter as empresas à livre concorrência, sempre e sem excepções.
Quando são submetidas à concorrência, as empresas esforçam-se por fornecer produtos e serviços tão bons ou melhores que os da concorrência. Não deixaram de ser "egoístas", mas é como se uma mão invisível as impelisse fazer os possíveis para nos agradar. A lição a tirar é: desde que haja concorrência, a procura do lucro funciona em nosso favor.
É falsa, a visão marxista de que o capitalismo é baseado na exploração do trabalho por parte do capital. Há muitos outros factores que contribuem para a produtividade, incluindo a poupança, a inovação, o progresso tecnológico, o empreendedorismo, a disposição para correr riscos, o conhecimento e competências acumuladas dos trabalhadores – e naturalmente a qualidade da gestão, i.e., a capacidade de coordenar eficientemente pessoas, logística e recursos dentro de uma empresa.
É falsa, a visão de que o capitalismo empurra os salários para o nível mínimo de subsistência. Os dados empíricos da ciência económica moderna mostram consistentemente que são precisamente as maiores empresas, as mais integradas no mercado global, as que pagam os salários médios mais elevados, oferecem melhores benefícios e mais investem na formação dos seus quadros. Isto não se verifica por filantropia ou por questões "morais" mas devido a estratégias económicas racionais e bem documentadas pela ciência económica. Numa economia competitiva, o alinhamento de interesses entre o capital e o trabalho é a forma mais eficaz de garantir a melhoria da produtividade a longo prazo.
É falsa, a ideia de que o capitalismo é mau para o ambiente. A União Soviética rejeitou o capitalismo e era muito mais poluída que qualquer das democracias ocidentais. Se o capitalismo é mau para o ambiente, como se explica que sejam os países mais capitalistas a ocupar os primeiros lugares do Environmental Performance Index?
É falsa, a acusação de que através do marketing, o capitalismo cria "falsas necessidades" e manipula as pessoas para comprarem o que não precisam. Este argumento subestima a inteligência do consumidor e ignora que o capitalismo é o sistema que mais respeita a soberania do indivíduo. O mercado limita-se a responder e a tentar prever as preferências reais das pessoas. Além disso, o aumento do consumo é um reflexo do aumento do poder de compra e do acesso a bens que em outros tempos eram luxos exclusivos dos mais ricos – como eletrodomésticos ou smartphones.