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Contas são contas para a verdade democrática

 


 

 


 

Um facto que me assola e me incomoda muito, há tempo demais, é entender a razão que leva um partido ou uma coligação de partidos, quando deixa a governação, por derrota eleitoral ou por abandono de funções, não prestar as devidas contas económicas da sua gestão. 

Será que a derrota eleitoral justificará tudo e mais alguma coisa? O abandono de funções desresponsabilizará quem foi incompetente, desleixado e incapaz? Declarar as contas não será uma obrigação democrática de quem governou? E o exigir contas, contas mesmo certas, não será uma prerrogativa da oposição? 

À oposição, não interessa as contas, mas a preocupação na conquista do poder. Ao poder interessa-lhe, por outro lado, não fazer muitas ondas e deixar que o tempo apague tudo.


 

1 - A realidade vista: Governos derrotados eleitoralmente ou fugitivos de funções lavam as mãos dos problemas que deixam como se nada fosse com eles. E o curioso deste facto, é que, depois, remetidos na oposição, esses mesmos, dão sugestões, fazem propostas, avançam com soluções, criticam ferozmente o que o novo governo faz. Tudo isto com um desplante que causa pasmo e incompreensão. E o insólito desta realidade é que ainda apresentam um “legado” e sempre farto como álibi e testemunha de uma boa prestação nos anos que tiveram a chatice de estarem à frente dos destinos do país, quando todos sabemos que isso é ou foi uma pura balela. 


 

2 - Entre amigos: Debato amiúde através do WhatsApp, com mais incidência ao Domingo, e depois da saída do meu artigo semanal no DM, com o meu amigo Zé, um neo-socialista dos quatro costados como na política se diz. O amigo Zé tem sempre “argumentos” para criticar os meus trabalhos. Eu, no fundo, gosto dos seus comentários. E, claro, das suas críticas. Dou-lhe troco e tento avivar-lhe a memória dos acontecidos, mas não tem valido a pena espalhar as sementes factuais, porque ele se tornou impermeável às alterações paradigmáticas das sociedades mundiais. A cartilha do Rato está sempre muito presente na sua subtil argumentação. Da minha parte, não desisto, porque dou relevo ao ditado popular: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. 


 

3 - O “legado do Costa”: Todos sabemos que Costa estava farto de ser primeiro-ministro. Eram casos demais, casinhos demais e até casões demais. Até ele próprio era um “casão” bem sério e um incómodo para o país. Costa andava desafinado com a realidade. Nem a maioria absoluta limpou a toxicidade das suas políticas: demissões, espectáculos com violência à mistura, afrontamentos ao Presidente da República. O fim do seu governo estava eminente. Só faltava um “bom” motivo para Costa fugir. Como não aparecia, os homens do poder cimeiro da nação resolveram criar um parágrafo que fosse suficientemente explicativo (!) como móbil do gesto e da vontade de Costa se pôr ao fresco. O seu horizonte estava em Bruxelas. Pudera!


 

4 - Agora os números: Qual foi o custo económico dos governos Costistas. Costa pegou na governação já com o país fora das garras dos credores. Passos Coelho estabilizou a economia. Colocou o país na rota do financiamento externo. Estancou o desemprego. O investimento estrangeiro fez-se notar de novo. Passou a haver saldo comercial. O país crescia e criava riqueza. Passos Coelho, com coragem e determinação, dera a volta, com classe, à bancarrota socrática.


 

5 - O monstro: Que feições tem o monstro criado em oito anos e meio de geringoncismo? A dívida pública cresceu mais de 50 mil milhões de euros; a Saúde passou de 8 mil milhões de euros/ano para 17 mil milhões, o que perfaz uma diferença de cerca de 60 mil milhões nessa governação. Na Educação, a despesa subiu de 4700 euros para 6200/ano por aluno, o que perfaz mais 16 mil milhões de euros. Só nestas três áreas, as contas públicas atingiram um saldo negativo de 126 mil milhões de euros. E os serviços públicos pioraram e de que maneira!

Governar para saldos negativos (défices) sem ter em conta a competente mais-valia social e de desenvolvimento equilibrado do país é contribuir para o acelerar de problemas como o atraso generalizado, o endividamento e o empobrecimento, cada vez, mais humilhante.

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

22 março 2026