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Perfis de QI…diferenciado

 



 

 



 

Encontrei uma série de frases segundo as quais se poderia revelar um Quociente de Inteligência (QI) acima da média. Eis a lista de frases: Não sei, mas vou descobrir; pode explicar isso melhor?; entendo o seu ponto de vista, mesmo que não o compartilhe; preciso de tempo para pensar; por que pensa assim?

1. Que querem dizer estas expressões – no sentido do conhecimento, na perspetiva da relação entre as pessoas ou mesmo na tentativa de conhecer os outros e/ou no dar-se a conhecer – sobre a inteligência das pessoas? Perante esta frases não estaremos a entrar numa apreciação exagerada? Como poderá cada um de nós sentir-se na apreciação que faz (ou que lhe fazem) do seu QI? Não andaremos a centrar a educação/ensino na faceta da inteligência, podendo esquecer outras vertentes dos humanos, como a emotividade e a afetividade? As ‘nossas’ escolas não serão redutoras da dimensão holística da pessoa humana? Ainda iremos a tempo de corrigir erros feitos, mesmo que de forma mais ou menos inconsciente?

2. Tentemos encontrar algo que nos explique o Quociente de Inteligência (QI). É uma pontuação padronizada, geralmente com média 100, que mede a capacidade cognitiva, raciocínio lógico e resolução de problemas de um indivíduo em comparação com a população. Desde o início do século passado foram desenvolvidos testes em ordem a avaliar áreas como memória e compreensão visual. Embora popularmente associado à inteligência geral, o QI é apenas uma ferramenta de avaliação comparativa.

Eis uma classificação do componente do QI: acima de 130: superdotação; 90-109: inteligência média; abaixo de 70: geralmente indica limítrofe ou debilidade.

O QI médio em Portugal situa-se geralmente entre 95 e 99,34, situando-se o país dentro da média mundial de inteligência normal (90-110).

3. Detemo-nos agora sobre algumas das frases citadas, como sugestões de caraterização de um certo QI diferenciado.

* ‘Não sei, mas vou descobrir’. Longe de parecer uma admissão de fraqueza, poderá ser uma prova de força interior e de autoconfiança… Estaremos, assim, sempre a aprender. Uma atitude destas apresenta disposição para aprender e crescer!

* ‘Pode explicar isso melhor?’ Denotaria uma curiosidade em busca de respostas não superficiais e numa busca de compreensão mais profunda. Mais do que uma qualidade social, a curiosidade seria um motor intelectual.

* ‘Entendo o seu ponto de vista, mesmo que não o compartilhe’. Seria uma capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender o raciocínio alheio e de validar a experiência dele sem desconsiderar a sua própria. Mais do que vencer uma discussão seria enriquecê-la…

* ‘Preciso de tempo para pensar’. Esta atitude reflete a capacidade de analisar, de ponderar e sem precipitação, antes de tomar uma decisão. Dar tempo e espaço ponderadamente.

* ‘Por que pensa assim?’ Revela a tentativa de ir à raiz das razões dos outros, para além das aparências. Seria uma forma de abordar as questões e as pessoas sem querer impor-se, embora saiba aonde quer chegar…



 

4. Em jeito de proposta deixo a ‘oração dos dedos’ do Papa Francisco.

- O polegar é o dedo mais próximo de nós. Rezamos por aqueles que estão mais próximos de nós: a nossa família e amigos.

- Dedo indicador. Este dedo é utilizado para apontar o caminho. Rezamos pelos professores, médicos e líderes espirituais e por quem tem a tarefa de orientar e cuidar.

- Dedo médio. Representa aqueles que têm autoridade e poder. Rezamos pelos governantes, líderes e figuras públicas… tendo em vista o bem comum.

- Dedo anelar. Possivelmente, este é o dedo mais fraco, nele rezamos pelos mais fracos, pelos doentes e por aqueles que enfrentam desafios na vida…

- Dedo mindinho é o mais pequeno de todos, convida-nos a rezar por nós próprios.



 

5. Façamos um exercício de avaliação do QI, percebendo que muito passará pela atenção aos outros, mais do que pelo empolamento de si mesmo.



 

António Sílvio Couto

António Sílvio Couto

16 março 2026