Vamos ter, dentro de pouco tempo, uma nova ida às urnas. A primeira volta das eleições presidenciais não foi suficiente para que conhecêssemos o novo Presidente da República.
Decorrem actualmente as iniciativas propagandistas dos dois candidatos em disputa – António José Seguro e André Ventura.
O primeiro é militante do Partido Socialista e, de acordo com o que nos diz a comunicação social, terá a preferência de muitos nomes conhecidos das diversas correntes partidárias do nosso país. Apresenta-se como um homem calmo e sereno e é bem tratado pelos meios de comunicação social.
O segundo, como candidato da direita, tem uma coloração mais vincada, apresentando-se como um homem lutador, irrequieto, que, duma forma habitual, não é muito bem aceite pela comunicação social, que habitualmente o trata duma forma mais crítica e, por vezes, pouco amistosa. Certamente que a sua maneira de ser e o seu comportamento um tanto erosivo podem suscitar essas atitudes em quem trabalha nos nossos “media”, que, dum modo a que nos acostumou, sempre cobre com simpatia quem é representante duma ideologia própria da esquerda democrática.
As novas sondagens já se prometem para breve e, ao que é de crer, apresentarão como vencedor António Jose Seguro, que obteve, como é sabido, uma votação mais favorável na primeira volta.
A grande incógnita encontramo-la nos aproximadamente 2.235.000 de votos que receberam os vários candidatos da chamada direita, mais particularmente, Marques Mendes, Cotrim de Figueiredo e Gouveia e Melo. De acordo com os ecos que nos deixaram os “media”, a votação premiará maioritariamente a favor do concorrente que é filiado no Partido Socialista.
Vejamos então o que nos dirá a segunda volta. Certamente que tudo aponta, insistimos, para a vitória de António José Seguro. André Ventura será menos votado, mas é o mentor do partido de direita que o levou à disputa do lugar mais elevado na hierarquia política do nosso país. E representará, com certeza, uma boa parcela da sociedade portuguesa, que confia nas suas capacidades e lhe oferece o seu voto, porque nele perspectiva um futuro nacional mais de acordo com as tradições e vivências dos porugueses.
As abstenções na primeira volta foram de 38,59% dos votantes, o que significa que uma considerável parte dos eleitores inscritos não se deslocou às urnas. É um número elevado, embora menor do que em eleições semelhantes que tiveram lugar no passado. E, com certeza, alguns portugueses não votaram por desinteresse, mas por razões que merecem o nosso respeito. Estes devem ter da nossa parte a melhor compreensão.Rui Rosas
Aguardemos então o que nos dirá o próximo acto eleitoral, convictos de que não haverá surpresas retumbantes.