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Um bom ano!

É tempo de se se formularem bons desejos para o futuro próximo. Quem o não quer? Todos o pedem para si e desejam aos familiares e amigos. O país precisa também de um bom ano. 

O que é um bom ano para um qualquer de nós? Podemos ser mais ou menos exigentes, mais ou menos ambiciosos, mas pedimos sempre saúde, paz, prosperidade. Muitos reclamam também habitação que é algo que lhes escapa há mais ou menos tempo, mas que nos dias de hoje exige cada vez mais recursos e se torna uma miragem. Para alguns, ter um bom ano é ter emprego. Cada qual tem as suas próprias particularidades que determinam o alcance dos seus desejos.

A nível global, um bom ano é haver paz, é acabar com a invasão da Ucrânia pela Rússia, é pôr fim ao genocídio em Gaza promovido por Israel e terminar muitos outros conflitos entre nações e povos. Não são coisas fáceis, nenhum dos conflitos o é, mas bastaria um pouco de boa vontade para que o bom caminho se abrisse e a paz fosse possível. Quantos milhões de pessoas em fuga por causa dos conflitos armados! Quantas mortes! Quantos milhões e milhões gastos em equipamento militar, quando a fome graça no mundo! Quanta insensibilidade! O mundo precisa de paz, quer paz, mas os homens poderosos não escutam, tão absorvidos que estão com as suas ambições pessoais de poder e de domínio! 

Para o país, um bom ano seria que a economia crescesse a bom ritmo, criasse emprego de qualidade, já que foi atingido um quase pleno emprego. Que as pessoas deixassem de ser pobres ainda que tenham trabalho. Um bom ano para Portugal seria que todos os alunos tivessem professor a todas as disciplinas, que os professores voltassem a ter condições de trabalho e nas escolas todos os restantes trabalhadores se sentissem parte de um verdadeiro projecto educativo e não peças descartáveis ao fim de uns quantos meses de contrato a prazo. Um bom ano seria que todos os cidadãos tivessem médico de família a quem pudessem recorrer com a frequência necessária, em qualquer crise de saúde; que terminassem as listas de espera por consultas de especialidade ou uma qualquer cirurgia; que se resolvessem as questões relacionadas com a falta de médicos e se não falasse mais, por boas razões, de urgências fechadas nos hospitais; que não se tivesse de nascer numa ambulância ou nas ruas das nossas aldeias ou cidades.

Falta um bom bocado para se ter um bom ano, sendo que aos políticos se deve desejar que sejam verdadeiros protagonistas nesta sorte por que todos ansiamos. Que bom seria que aqueles que elegemos através de processos democráticos representassem efectivamente o povo, que cumprissem com o que prometeram, que se empenhassem a sério na resolução dos problemas das pessoas e se se deixassem de tricas entre si. Estamos perto do novo ano, contudo, distantes do que seria ideal.

Mas, não deixemos de nos desejar um bom ano. Primeiro, porque temos de continuar a acreditar que é possível uma vida melhor e feliz para todos, um mundo e um país em segurança e paz onde prevaleça a concórdia e a união em vez de impulsos hegemónicos. E, em segundo lugar, porque dessa forma nos incentivamos a fazer algo em prol de todos. Na verdade, faremos pouco se ficarmos pela mera saudação social. Quando a fazemos, precisamos de ser exigentes connosco próprios e com os que, por dever de profissão ou missão, têm esse encargo especial de tornar o dia a dia das pessoas melhor do que fora antes.

Nesta última crónica de 2025 não posso deixar de aproveitar a ocasião para desejar um bom ano a todos os estimados leitores. Que 2026 se abra com alegria, saúde, bem-estar e paz!


 

Luís Martins

Luís Martins

30 dezembro 2025