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Arcebispo de Braga aponta via do perdão como essencial para construção da paz no mundo

Os três bispos de Braga participaram na peregrinação
Fotografia DM

Publicado em 13 de setembro de 2026, às 16:20

Na homilia que partilhou na peregrinação ao santuário mariano da Penha

O Arcebispo Metropolitano de Braga apontou hoje o caminho do perdão como a única via para a construção da paz e exortou todos os fiéis a abandonarem «aquele desejo momentâneo de vingança, que nos corrói por dentro e nos impede de nós mesmos nos sentirmos em paz».

«Nós, às vezes, somos tentados, todos nós, na primeira ocasião, a vingarmo-nos do mal que nos fizeram. A vingança pode trazer algum prazer momentâneo, mas nunca traz a paz. Só o perdão é caminho de paz, e o perdão passa pelo diálogo, pelo encontro, pela harmonia das diferenças», afirmou D. José Cordeiro, na homilia que partilhou com os milhares de fiéis que participaram na manhã de hoje na grande peregrinação anual do arciprestado de Guimarães e Vizela ao santuário mariano da Penha, em Guimarães.

Aquela que foi a 133.ª peregrinação arcipestral decorreu sob o lema “Com Maria, servir e acolher e todos” e marcou também o início da Visita Pastoral ao arciprestado, particularidade que justificou que os três bispos da Arquidiocese de Braga - o Arcebispo D. José Cordeiro e os bispos auxiliares D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita - também tivessem integrado a maior manifestação de fé do arciprestado de Guimarães e Vizela.

Tendo como mote para a reflexão partilhada no «santuário encantador da Penha» a parábola em que Jesus diz a Pedro que não devemos apenas perdoar sete vezes, mas setenta vezes sete, D. José Cordeiro deixou claro que «o perdão não se resume a operação matemática», mas é antes «um estilo de vida para quem se dispõe a seguir Jesus, renunciando a si mesmo, tomando a cruz todos os dias e segui-Lo».

Salientou o Arcebispo de Braga  que «cada um deve procurar ser um artesão da paz, um artesão do diálogo e do encontro», através da «corresponsabilidade diferenciada» que cada cristão realiza «na sociedade, na política, na família, na comunidade, na Igreja, na paróquia, na unidade pastoral, no arcipistado, na arquidiocese». 

O compromisso reside em «dar sempre novas oportunidades a quem nos faz mal» e «ajudar os outros a descobrirem o caminho do perdão e da paz». É que «só este caminho nos dá a paz interior, o tal silêncio interior, que é o encontro de cada um consigo mesmo, com Deus, com os outros, com o mundo, com a história, com a Casa Comum que habitamos», salientou o também Primaz das Espanhas, aludindo ao compromisso de Guimarães, enquanto Capital Verde Europeia, «de viver a ecologia integral, que não é apenas um sentido verde ou ambientalista, mas é o sentido da totalidade da relação, na fraternidade, na amizade social, na cultura do encontro, no perdão que não liberta apenas do passado, o perdão que liberta o futuro». 

Isso porque «uma pessoa em paz é capaz de construir relações de fraternidade, de diálogo, de ocupação e preocupação com o bem comum e não apenas com os seus interesses», resumiu D. José Cordeiro.