twitter

Nova ETAR de Barcelos em concurso público por 35,4 milhões

Fotografia Arquivo DM

Redação/Lusa

Publicado em 06 de outubro de 2026, às 11:48

A Câmara de Barcelos abriu um concurso público, por 35,4 milhões de euros, para a construção da nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do concelho, segundo anúncio hoje publicado em Diário da República.

As empresas interessadas devem apresentar as suas propostas até 23 de outubro, tendo depois a obra um prazo de execução de 910 dias, contados a partir da data da consignação.

O município de Barcelos já sublinhou que se trata do “maior investimento de sempre” na despoluição do rio Cávado.

A nova ETAR, a construir na freguesia de Barcelos, vai substituir a atual, em funcionamento desde 1999 e “tecnicamente obsoleta, com uma capacidade de resposta limitada face à evolução demográfica, urbana e industrial do concelho”.

“As limitações técnicas que o atual equipamento apresenta traduzem-se num tratamento inadequado das águas residuais e, consequentemente, na poluição dos corpos hídricos locais, comprometendo a biodiversidade e a saúde pública”, refere o município.

Por isso, o investimento na construção de uma nova ETAR está identificado no Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais e Pluviais (PENSAARP 2030) “como uma prioridade de primeira linha para resolver passivos ambientais graves”.

A nova ETAR terá capacidade para tratar não só as águas residuais das habitações, mas também a poluição gerada pelas indústrias têxteis do concelho.

Após a sua entrada em funcionamento, estima-se que mais de 73 mil pessoas estejam efetivamente ligadas à rede e a beneficiar do serviço.

O município do distrito de Braga refere que um dos grandes desafios técnicos do projeto reside no facto de cerca de 35% dos afluentes serem de origem industrial, maioritariamente do setor têxtil (tinturarias), apresentando corantes e compostos orgânicos de difícil degradação e exigindo tecnologias avançadas.

“A tecnologia escolhida utiliza microrganismos benéficos para eliminar a poluição presente nas águas residuais, num processo prolongado que garante um tratamento mais eficiente. Este sistema consegue remover compostos nocivos, como o azoto, sem necessidade de equipamentos adicionais”, explica.

Depois desta fase biológica, a água passará por um tratamento complementar, que inclui filtros muito finos e a aplicação de ozono, para eliminar a cor e os poluentes mais resistentes, típicos dos efluentes provenientes da indústria têxtil.

“Garante, assim, o cumprimento dos parâmetros legais de qualidade da água do rio Cávado”, sublinha o município.

Além disso, a nova ETAR foi projetada para consumir menos eletricidade, com arejadores eficientes e motores que só trabalham quando for necessário.

Para ganhar autonomia, vai produzir a sua própria energia através de painéis solares e de uma pequena central hidroelétrica na saída da água tratada.

A água tratada será reutilizada dentro da estação, as areias retiradas dos resíduos serão reaproveitadas e os materiais de demolição terão nova vida.

A água limpa será devolvida ao rio Cávado, numa área integrada no Parque Natural do Litoral Norte, um ecossistema sensível que alberga espécies protegidas como a lontra.

“Ao reduzir significativamente a carga poluente descarregada no rio, a nova ETAR contribuirá para a melhoria da qualidade da água e, indiretamente, para a preservação dos habitats e da biodiversidade da região”, aponta ainda o município.