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Experiência junto ao rio põe região Minho no mapa dos grandes eventos enogastronómicos

Fotografia DR

Luísa Teresa Ribeiro

Chefe de Redação

Publicado em 22 de setembro de 2026, às 20:52

Restaurantes e vinhos brilharam no “The Coconut House & Friends”, em Amares.

O “The Coconut House & Friends – Riverside Experience” juntou 11 restaurantes e 30 produtores de vinho num acontecimento que colocou o Minho no mapa dos grandes eventos nacionais de enogastronomia.

Os restaurantes apresentaram as suas especialidades em harmonização com vinhos de todo o país e também de França, junto ao rio, no The Coconut House, em Prozelo, Amares, no dia 13 de setembro, com a presença de 250 pessoas.

Com a promessa de regresso em setembro de 2027, o evento serviu de montra à qualidade da restauração, dos vinhos, cocktails, destilados, cervejas, infusões e café. No espaço estiveram restaurantes conceituados, sobretudo do distrito de Braga, e produtores de vinho das regiões dos Vinhos Verdes, Douro, Alentejo, Tejo, Bairrada, Dão, Algarve, Champagne e Provence.

A responsável pelo The Coconut, Paula Macedo, explica que o encontro surgiu a partir da experiência com a realização dos eventos do restaurante Hoko naquele espaço, tendo a organização contado com o impulso da Tasca do Paiol.

«Esta realização nasceu da vontade de juntar amigos, criar ligações e mostrar a qualidade das pessoas e das marcas que aceitaram construir esta experiência connosco, num evento diferenciador, que assinalou o final da época de verão», revela.

Por seu turno, Tiago Carvalho, da Tasca do Paiol, destaca a importância da união entre os profissionais e o potencial desta realização ímpar a norte do Porto. Em seu entender, a região «precisa e merece» a organização de um evento deste género. «Acredito que este será o primeiro de muitos», afirma.

Para este responsável, a colaboração e a dinâmica de festa criam uma relação diferente entre parceiros e entre os estabelecimentos e os clientes, mostrando a capacidade que a restauração tem de se reinventar.

Já o líder do Grupo 5Y – Food & Events, Yang Qi, assegura que o restaurante Hoko «gosta de estar presente em todos os momentos importantes para a comunidade, dando o seu contributo para a festa e divulgação da boa gastronomia».

«O The Coconut House & Friends deu-nos a oportunidade de levar o Hoko para um cenário muito diferente daquele em que habitualmente trabalhamos. Servir sushi junto ao rio, num ambiente descontraído e em contacto direto com os convidados, permitiu-nos mostrar o nosso trabalho de uma forma muito próxima. Foi uma experiência exigente, mas muito gratificante», confessa.

«Quando se juntam pessoas bonitas num belo espaço junto ao rio, com boa gastronomia e bons vinhos, estão reunidas as condições para se passar uma boa tarde», refere, resumindo a essência deste acontecimento social.

 

Valorizar a qualidade do Minho

O chef Rui Filipe adianta que o Palatial marcou presença para apresentar as suas propostas e, ao mesmo tempo, ajudar a região a distinguir-se em termos gastronómicos. «Unidos somos muito mais fortes», diz, defendendo que o Minho tem qualidade para se afirmar no panorama nacional.

Depois da conquista da primeira estrela Michelin, o Palatial tem agora como objetivo renová-la e continuar em «constante evolução», com muito trabalho, dedicação e esforço. «Temos muito orgulho de ser o primeiro restaurante de Braga com uma estrela Michelin. Acreditamos que possam surgir outros nos próximos tempos. Seria bom que viessem mais estrelas para Braga», declara.

Hugo Sousa, do Esperança Verde, também vê este evento como uma forma de contribuir para a projeção da região, na medida em que se apresenta como uma montra da oferta de qualidade que existe no território. «Estas iniciativas são importantes para dinamizar a restauração. Através delas conseguimos apresentar as nossas propostas e estar mais perto dos clientes», sustenta.

Sendo um restaurante recomendado no Guia Michelin, o estabelecimento mantém as expectativas «sempre altas». «Estamos a trabalhar para o nosso objetivo. Não sabemos quando vamos conseguir alcançá-lo, mas estamos a fazer um percurso do qual nos podemos orgulhar», confessa.

Na área dos vinhos, Luís Cerdeira, responsável pela Vinevinu, juntamente com o seu filho Manuel, considera que a ligação entre vinho e gastronomia representa «um caminho do futuro».

Focada na restauração e hotelaria, a empresa está atualmente presente em 18 mercados de exportação. «O nosso paradigma é criar vinhos que sejam gastronómicos», afirma.

O responsável comercial do Grupo Pacheca em Portugal, Nuno Barros, coloca a tónica na importância de estar presente num evento prestigiado, de mãos dadas com os parceiros e próximo dos consumidores. O grupo apresentou vinhos do Douro, Alentejo, Dão e Algarve.

Constatando que o mercado atravessa uma fase difícil, defende a importância da divulgação de informação sobre os vinhos. «Bebemos menos, mas bebemos melhor, bebemos com mais qualidade», vinca.

Vindo da Vidigueira, no Alentejo, Hamilton Reis apresentou o projeto familiar Natus Vini, com uma interpretação mais fresca e contemporânea do Alentejo, a partir de castas autóctones e com técnicas ancestrais.

Para o enólogo, estas iniciativas permitem descomplicar o mundo do vinho e chegar aos clientes. «Precisamos é de mais eventos como este, em que as pessoas estão dispostas a conhecer novos projetos e a usufruir da experiência», assevera.

Ana Matos, da Adega Mayor, enfatiza que o vinho e a comida formam «um conjunto indissociável», por isso a proposta apresentada contemplou três vinhos frescos, que harmonizaram na perfeição com a gastronomia e com um dia muito quente.

Em relação ao evento, esta responsável refere que a participação surgiu em resposta ao desafio lançado por um parceiro, dando a conhecer as referências da marca, entre as quais estão vinhos premiados – como o monocasta Verdelho, que esteve à prova durante a festa –, que prestigiam a área de vinhos do Grupo Nabeiro-Delta Cafés.

O café esteve representado pela Delta, através do barista Filipe Barbas. O profissional explicou que o seu trabalho exige conhecimento de todo o processo, «desde a planta até à chávena», tendo tido a oportunidade de divulgar a vasta panóplia de cafés da Delta. O grupo levou a marca Dómúz, que serviu de base para os cocktails Espresso Martini e a Amêndoa Amarga Sour.

Entre os visitantes, esteve João Marques Pinto, que considerou o evento «de nível muito elevado em termos de produtos» e destacou a qualidade dos parceiros. «Para um primeiro evento, esteve muito bem», resumiu.

 

Diversidade de propostas

A experiência começou com um momento inicial composto por ostras do The Coconut House, presunto da Tasca do Paiol e uma seleção de queijos da Corriqueijo.

Em seguida, o Hoko apresentou sushi, o Basílica serviu tártaro de atum, o Esperança Verde levou ao evento enguia fumada, a Pirâmide do Egipto preparou uma açorda com corvina frita e o Palatial apresentou polvo com pico de gallo.

Posteriormente, a Mugasa apresentou o seu leitão assado à Bairrada, a Tasca do Paiol preparou pão de Rio Maior torrado na brasa, massa de alho assado e lombelo de vaca, o Grémio serviu massada de nispo e rojões e o The Coconut House apresentou uma paella negra de marisco.

A partir das 21h00, a experiência prosseguiu com sobremesas e queijos. A Marupiu apresentou uma sobremesa criada especialmente para o evento, acompanhada por fruta laminada e tarte basca.

O formato informal permitiu aos participantes circularem livremente, descobrindo cada proposta ao seu ritmo.

A programação musical acompanhou toda a experiência e marcou a passagem do dia para a noite. Os DJs deram continuidade ao ambiente descontraído, prolongando os brindes, os encontros e a celebração junto ao rio.