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Filme sobre impacto da guerra no Sudão vence Grande Prémio Internacional de Vila do Conde

Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 27 de julho de 2026, às 15:42

“From Silence to Word”, de João Pedro Barriga, foi eleito Melhor Filme Nacional.

O filme sudanês “Nothing Happens After Your Absence”, de Ibrahim Omar, venceu o Grande Prémio Internacional do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema, e “From Silence to Word” foi eleito Melhor Filme Nacional, anunciou a organização.

“Nothing Happens After Your Absence” (2026), com 15 minutos, foi distinguido pelo júri com o principal prémio da 34.ª edição do festival, que atribuiu o galardão para o melhor filme nacional à obra do realizador João Pedro Barriga.

O tema principal do filme do realizador sudanês Ibrahim Omar é a luta pela sobrevivência perante a eclosão da guerra civil no Sudão, cruzada com os temas do exílio, da memória, da identidade frágil e do impacto da burocracia e das tradições locais.

Por seu turno, a curta portuguesa "From Silence to Word” centra-se na memória do cinema português, na criação artística interrompida, e na ligação poética com a paisagem transmontana, assumindo o formato de um filme-ensaio estruturado através de uma narrativa mitológica, de acordo com as sinopses do festival.

Na Competição Internacional, “Oh Boys”, de Antonio Donato, recebeu, a par de “How to Cook a Chicken Underground”, de Nacho Sánchez e Olivia Delcán, o prémio de Melhor Filme de Ficção e foi também selecionado para os European Film Awards Short Film Prix Vimeo Candidate 2027.

O anúncio do palmarés da 34.ª edição do Curtas Vila do Conde, que reuniu um total de 244 filmes de 44 países, entre estreias nacionais e mundiais, novos talentos e autores consagrados, marca o fim da competição desta edição "marcada pela pluralidade de linguagens, pela descoberta e pelo diálogo entre cinema, sociedade e liberdade", sublinha a organização, em comunicado, lembrando o espaço o papel do certame na divulgação e reflexão sobre a curta-metragem em Portugal.

Na Competição Internacional, o prémio de Melhor Documentário foi atribuído a “Plan Contraplan”, de Radu Jude e Adrian Cioflâncă, enquanto “Dernier Printemps”, de Mathilde Bédouet, recebeu o prémio de Melhor Animação.

O filme “À quoi rêvent les Maknines”, de Sarra Ryma, foi o mais votado pelo público e recebeu o Prémio Audiência Internacional.

Na secção Take One!, dedicada a filmes realizados em contexto escolar, “Quelle Soif!”, de Francisco João, venceu o prémio de Melhor Filme, enquanto o prémio de Melhor Realização foi atribuído a Clara Vieira, por “Onde Nascem os Pirilampos”, e o filme "Morgenkreis", de Basma Alsharif, venceu a Competição Experimental.

Na secção My Generation, o Prémio do Público foi atribuído a “Kiss Kiss Bang Bang”, de Ollie Launspach, conquistando a preferência dos espetadores numa secção dedicada a novas vozes e diferentes olhares sobre o cinema contemporâneo.

Inaugurado a 17 de julho, o certame, que terminou ontem, teve o realizador iraniano Mohammad Rasoulof em destaque na secção In Focus (‘Em Foco’) do Curtas, sendo-lhe dedicada uma retrospetiva de uma filmografia “profundamente marcada pela censura, pela repressão política e pela defesa da liberdade de expressão”.

O iraniano conquistou o Urso de Ouro em Berlim com “There Is No Evil” (2020), filmado clandestinamente no seu país, e tem sido alvo de críticas e perseguição pelo regime iraniano, desde pena de prisão à proibição de filmar.

A longa-metragem “A Semente do Figo Sagrado” (2024), a sua obra mais recente, foi incluída na programação, assim como “Iron Island” (2005) e “A Man of Integrity” (2017).

O programa contou ainda com uma sessão especial, “Irão, Cinema e Liberdade”, com o jornalista Ricardo Alexandre, autor de “Tudo sobre o Irão”, no contexto da ofensiva norte-americana e israelita neste país do Médio Oriente.

Ao todo, o Curtas programou 244 filmes, 224 curtas-metragens e, de resto, 'longas', de 6.178 candidaturas, vendo representados 44 países diferentes nas 91 sessões programadas, com 59 produções portuguesas, a que acresceram conversas, oficinas e outras atividades, incluindo para o público mais jovem.

A seleção oficial nacional incluiu filmes de Rita Barbosa, Pedro Ramalhete, Filipe Melo, Daniel Soares, João Pedro Barriga, Maria Novo, Ana Fernandes e Joana Vieira da Costa, Ala Nunu, Matilde Camacho, Gonçalo Pina, Inês Pedrosa e Melo, Carlos Conceição, João Niza Ribeiro e Susa Monteiro, variando entre ficção, animação e documentário.