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Nova ETAR de Barcelos vai custar 37,5 ME e deve estar pronta em finais de 2028

Fotografia DR

Redação/Lusa

Publicado em 11 de maio de 2026, às 18:37

Autarquia sublinha que este é maior investimento de sempre na despoluição do rio Cávado

A Câmara de Barcelos aprovou o projeto de execução atualizado da nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do concelho, um investimento superior a 37,5 milhões de euros. 
Em comunicado, o município sublinha que se trata do «maior investimento de sempre» na despoluição do rio Cávado. A abertura do concurso público para a construção da nova ETAR depende, agora, da emissão da declaração de impacte ambiental pela Agência Portuguesa do Ambiente e da obtenção do parecer final da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.
A Câmara estima que o concurso seja lançado ainda em 2026 e que a obra esteja concluída no final de 2028. A nova ETAR nova vai substituir a atual, em funcionamento desde 1999 e «tecnicamente obsoleta, com uma capacidade de resposta limitada face à evolução demográfica, urbana e industrial do concelho». «As limitações técnicas que o atual equipamento apresenta traduzem-se num tratamento inadequado das águas residuais e, consequentemente, na poluição dos corpos hídricos locais, comprometendo a biodiversidade e a saúde pública», acrescenta.
Por isso, lê-se no comunicado, o investimento na construção de uma nova ETAR está identificado no Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais e Pluviais «como uma prioridade de primeira linha para resolver passivos ambientais graves».
A nova ETAR terá capacidade para tratar não só as águas residuais das habitações, mas também a poluição gerada pelas indústrias têxteis do concelho. 
Estima-se que, em 2029, mais de 73 mil pessoas estejam efetivamente ligadas à rede e a beneficiar do serviço. O município refere que um dos grandes desafios técnicos do projeto reside no facto de cerca de 35% dos afluentes serem de origem industrial, maioritariamente do setor têxtil (tinturarias), apresentando corantes e compostos orgânicos de difícil degradação e exigindo tecnologias avançadas.
«A tecnologia escolhida utiliza microrganismos benéficos para eliminar a poluição presente nas águas residuais, num processo prolongado que garante um tratamento mais eficiente. Este sistema consegue remover compostos nocivos, como o azoto, sem necessidade de equipamentos adicionais», explica.
Depois desta fase biológica, a água passará por um tratamento complementar, que inclui filtros muito finos e a aplicação de ozono, para eliminar a cor e os poluentes mais resistentes, típicos dos efluentes provenientes da indústria têxtil. «Garante, assim, o cumprimento dos parâmetros legais de qualidade da água do rio Cávado», sublinha.
Além disso, a nova ETAR foi projetada para consumir menos eletricidade e, para ganhar autonomia, vai produzir a sua própria energia através de painéis solares e de uma pequena central hidroelétrica na saída da água tratada.
A água tratada será reutilizada dentro da estação, as areias retiradas dos resíduos serão reaproveitadas e os materiais de demolição terão nova vida.. A água limpa será devolvida ao Cávado.