Em comunicado enviado às redações, assinado pelo CEO da Coindu, António Cândido, a empresa afirma que “tem cumprido de forma consistente e pontual todas as suas obrigações salariais para com os seus colaboradores, garantindo os pagamentos nos prazos prescritos ao longo de toda a sua história”.
“Apesar dos desafios económicos significativos dos últimos anos, a prioridade foi sempre a proteção dos seus trabalhadores e o cumprimento dos compromissos económicos”, acrescenta.
Na semana passada, o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins (SIMA) revelou que os direitos dos 350 trabalhadores da fábrica da Coindu, em Arcos de Valdevez, vão ser definidos numa reunião na sexta-feira.
O presidente do SIMA, José Simões, que falava à agência Lusa no final de um plenário de trabalhadores, disse que “a reunião, marcada para as 14:00, nas instalações da Coindu será entre o sindicato, a administração da empresa, o Governo e a Inspeção-Geral do Trabalho”.
“É uma reunião importante para tentar encontrar uma solução para o valor da indemnização a pagar aos trabalhadores. É obrigatório, está na lei”, afirmou.
Hoje, a administração da Coindu adianta que o processo de rescisões, “em curso, está a ser conduzido com a máxima atenção à justiça processual e ao respeito pelos direitos individuais”.
“Recorremos a aconselhamento jurídico especializado para garantir que cada fase está em conformidade com a regulamentação em vigor e protege integralmente os direitos e a dignidade dos nossos colaboradores, com prioridade no reconhecimento de todas as obrigações prescritas”, especifica a administração.
A Coindu classifica de “falsas” a informação vinda a público “de que os projetos de Arcos de Valdevez estarão a ser transferidos para a Tunísia” e, refere que o encerramento da instalação, em Arcos de Valdevez, “é consequência do fim de vida do ciclo de produção dos veículos nomeados”.
“Ao longo de 2024, procurámos preservar a situação operacional do site, transferindo temporariamente algumas produções de Joane [em Vila Nova de Famalicão], para Arcos de Valdevez, negociando novas oportunidades de projetos”. Apesar destes esforços, não foi possível garantir a sustentabilidade produtiva do local”, aponta.
A empresa “está a avaliar oportunidades de produção em países extraeuropeus exclusivamente para novos projetos cujas características económicas não são compatíveis com a produção em Portugal”.
Na última sexta-feira, no final do plenário de trabalhadores, o presidente do SIMA denunciou a deslocalização da produção da fábrica de Arcos de Valdevez para a Tunísia.
“Eu escancarei logo a informação que é ponto assente: vocês não têm trabalho porque a empresa roubou-vos o trabalho. O trabalho que era para vir para aqui foi para a Tunísia, porque a mão-de-obra é mais barata e, portanto, o vosso trabalho foi para a Tunísia”, disse, na altura à Lusa.
A Coindu diz ainda estar “comprometida no seguimento efetivo dos seus colaboradores e representantes sindicais para definir os termos das remunerações finais, visando um acordo comum de curto prazo, garantindo o tratamento justo e respeitoso a todos os trabalhadores envolvidos”.
No dia 25 de novembro, o SIMA tornou público o encerramento, no final do mês, da fábrica de Arcos de Valdevez, e o despedimento dos 350 trabalhadores.
Segundo o SIMA, a decisão acontece cerca de um mês após a compra da empresa pelo grupo italiano Mastrotto.
Em Portugal, a Coindu, fundada em 1988, tem unidades fabris em Arcos de Valdevez e em Joane, Vila Nova de Famalicão.