Chama-se Rota Norte o novo guia de viagens que foi lançado hoje em Feitos, uma freguesia de Barcelos atravessada pela Estrada Nacional 103, uma das cinco que formam esta rota circular ligando o Minho, Trás-os-Montes, Douro e Porto.
Da autoria de Marco Neiva, uma apaixonado por viagens, Rota Norte passa por 35 municípios do Norte do país perfazendo uma extensão de 777 Km pelas Estradas Nacional 13, 103, 218, 221 e 222.
Segundo o mentor do projeto, esta road trip pretende ligar estas quatro estradas nacionais em forma de produtos turístico, divulgando um vasto conjunto de atrativos que o norte tem para oferecer: identidade, língua, contacto com as pessoas, gastronomia, património, cultura, tradições.
«É um guia de viagem que vai ajudar as pessoas a ter uma experiência mais imersiva neste território de fabulosas paisagens naturais e urbanas», disse Marco Neiva ao Diário do Minho.
A Rota Norte pode ser feita sozinho, com a família e com amigos, de mota, de bicicleta, de carro, de autocaravana, mas não tem um início nem tem um fim predefinido.
«Os viajantes podem começar onde é mais prático e terminar no mesmo local onde começaram, podem começar num local mais icónico, numa cidade ou num qualquer marco definido pela própria estrada», indicou o autor.
A equipa da Rota Norte só não aconselha nem incentiva a fazer este itinerário a pé, tendo em conta as «óbvias dificuldades físicas», embora esteja convencida de que «mais cedo ou mais tarde, alguém vai ser o primeiro a realizar este feito monumental».
Associado a este guia existe um passaporte onde os viajantes podem colar e colecionar selos dos locais por onde passam. No total foram criados 35 selos exclusivos alusivos a locais e símbolos como o marco do Km 0 da EN 2, o Castelo de Bragança, a Ponte D. Luiz I (Porto), a Aqueduto de Santa Clara (Vila do Conde), a Camisola Poveira (Póvoa de Varzim), os Moinhos da Apúlia (Esposende), o Santuário de Santa Luzia (Viana do Castelo), o Galo de Barcelos, a Sé de Braga, as Contas Olhos de Perdiz (Póvoa de Lanhoso), a Capela da Senhora da Lapa (Vieira do Minho), entre outros.
Os selos estão localizados em postos de turismo e museus ao longo dos territórios atravessados por esta rota.
Embora este projeto seja uma iniciativa privada, Marcos Neiva realça a importância da Rota Norte para a divulgação e promoção turística de inúmeros sítios destes 35 territórios nortenhos.
O livro foi apresentado junto à Tasca da Tia Tina, em ambiente de arraial minhoto, não faltando os tradicionais bombos dos pés pereiras (de Fragoso) e a concertina (do Zé de Braga).
A vereadora da Cultura da Câmara de Barcelos, convidada para o evento, reconheceu o contributo desta nova rota para o desenvolvimento sócio-económico, para a afirmação e a visibilidade do concelho, afirmando que «é um complemento do trabalho» que a autarquia tem vindo a desenvolver em termos culturais e sociais em Barcelos.
Elisa Braga aproveitou a sessão para pedir às largas dezenas de motards presentes que nunca descurem as normas de segurança na estrada.
Para o presidente da Junta da União de Freguesias de Vila Cova e Feitos, Alberto Alves, este projeto idealizado por Marco Neiva «tem condições para crescer» e «vai ser muito importante para a freguesia e o concelho».
O historiador Manuel Penteado Neiva foi um dos primeiros apoiantes da Rota Norte, tendo inclusive colocado a sua biblioteca à disposição do autor para consulta de obras referentes aos várias terras por onde passa a rota.
Para o cronista, este guia de viagem tem uma «importância muito grande para a região» e é uma «mais-valia para os municípios», na medida em que vão começar a surgir grupos de motards a percorrer estes territórios tal como acontece a pé nos Caminhos de Santiago.
Manuel Penteado Neiva, que é motard, tem percorrido Portugal e outros países da Europa de moto, e sabe bem o que estes auxiliares de viagem representam não só para os utilizadores como para os municípios.
«Além de consumir nessas terras por onde passo (dormir, comer, comprar recordações), acabo por trazer boas recordações. E as terras de que mais gosto ficam em carteira para repetir a viagem com a família», disse ao Diário do Minho.
A sessão contou com a presença de um grande número de motards e caravanistas da região e também da Galiza, alguns dos quais estão a preparar-se para fazer a Rota do Norte. Aliás, é intenção internacionalizar esta road trip, que tem sido já percorrida já por viajantes estrangeiros, vindos de Inglaterra, Suíça e outros países.