“Esquecemo-nos de que os fungos aquáticos estão expostos a uma vasta gama de ameaças resultantes das atividades humanas. Sem medidas de conservação adequadas, as suas populações podem diminuir, ou podem mesmo extinguir-se”, alertam os autores do estudo. Segundo as conclusões da investigação, esta extinção pode ter “consequências imprevisíveis para os ecossistemas marinhos e de água doce”, nomeadamente produzir efeitos cascata nas cadeias alimentares aquáticas.
Para os investigadores, um dos problemas relacionados com os fungos centra-se no facto de “os raros estudos centrados nas ameaças enfrentadas” se limitarem “quase exclusivamente a analisar os riscos decorrentes da libertação de fungicidas”. "Muitos outros poluentes podem afetar os fungos e as suas delicadas redes, tais como produtos farmacêuticos, metais, microplásticos e eutrofização”, sustenta um dos autores do estudo, o alemão Hans-Peter Grossart.
Susana Gonçalves sugere que “todos os esforços de gestão devem visar, tanto a proteção da diversidade fúngica, como a manutenção das suas funções-chave no ecossistema”, considerando que a conservação do ecossistema é fundamental para a proteção dos fungos. Outras medidas de gestão sugeridas pelo grupo de investigadores passam pela redução e proibição da importação de nutrientes e contaminantes, o controlo das vias de introdução de espécies exóticas aquáticas invasoras, a renaturalização de massas de água e a restauração de habitats-chave, medidas essas que devem “considerar as particularidades dos fungos”.
Autor: Redação/Lusa