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A Palavra

 

 

Sábio eram aqueles que diziam, palavra fora da boca é pedra fora de mão. E isto é verdade porque uma vez dita acerta no destinatário e depois não há desditos que a contradigam. Vem isto a propósito da celeuma que se levanto acerca do que uma apresentadora proferiu a respeito da violação de jovens. Não estamos aqui para julgar atos ou ações seja de quem for; para tal falta-me o jeito e sobra-me o pejo de entrar no campo alheio. Se o dito foi uma apreciação subjetiva ficará com quem a proferiu porque uma apresentadora não é jornalista e, portanto não está sujeito ao dogma de dizer apenas aquilo que foi definitivamente afirmado como verdade. Mas isto não sei se se tornou extensivo aos apresentadores; se sim a apresentadora em causa violou grosseiramente a ética jornalística, se não, então não passa duma opinião que só difere das nossas porque o palco é outro. Mas estes limites acho que estão bem definidos e quem gosta de chegar ao fundo das questões e não bebe apenas borbulhas de vinho generoso, podem procurar qualquer manual de behaviorismo e certamente lá encontrará os limites da sua atuação, agora que a palavra é pedra fora de mão, quanto a isso não temos dúvidas. Como dizia Victor Hugo na sua composição poética LE MOT. Numa tradução, livre e adaptada a este assunto, podemos dizer que ele disse, “tomai cuidado com as palavras que dizeis, /tudo pode sair da palavra que ao acaso dizeis, tudo o ódio e o perdão e não julgueis que os vosso amigos são seguros e que falais baixo. Victor Hugo sabia bem do que falava porque o autor d/ Os Miseráveis conhecia a miséria do caráter humano para recomendar cuidado com aquilo que dizemos, mesmo aos amigos mais chegados. Também abrir a boca e dizer coisas sem saber exatamente se foi assim sem saber as razões do acontecimento, é apenas reservado aos maldizentes que sabemos pululam por aí com a impunidade do subjetivismo.



 

Paulo Fafe

Paulo Fafe

15 junho 2026