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Restaurar a confiança e a história da maçã podre

 

 

Mais dezasseis agentes da PSP, (já lá vão 25) vulgo polícias, foram incriminados num processo de uso do poder. Mas então estes senhores não perceberam que a farda é para prestigiar e não para abusar dela? Devem ser pessoas que só ganham coragem para bater nos outros quando têm por trás uma organização que os “autoriza” a ser animais de instintos agressivos. Como os outros animais, atacam em manada, porque, individualmente, isto é, homem contra homem falta-lhes a coragem de serem fortes. Julgo que a instituição a que pertenciam os vão exonerar, fazendo uma “limpeza de balneário” que se impunha. As maçãs podres serão postas fora do “cesto”, mas compete à instituição de segurança pública estar atenta às maçãs que ficaram não só para lhes dar uma constante formação de quais são os seus limites de ação, como observar o seu comportamento residual. O homem é um animal que, embora tenha vencido os seus instintos, não deixará de os preocupar saber que esses mesmos instintos estão apenas moderados, mas existem, e em alguns com virulência. Os cidadãos devem confiar sem reservas nos agentes e não olhar para eles como um abusador camuflado e estribado num regulamento que, mal interpretado por eles, os autorize a praticar a violência gratuita. O sujeito preso não deixa de ser um cidadão e, para o punir, existem leis e tribunais que lhes administram as devidas e corretas penalizações. Está a instalar-se, em todos nós, que os polícias de segurança pública são um perigo e não um abrigo e resguardo dos seus direitos de cidadania. É preciso inverter este sentimento que está a instalar-se a pouco e pouco como epidemia que, silenciosamente, se vai instalando. Esta limpeza dos tais 15 agentes envolvidos traz-nos a tranquilidade de sabermos que há alguém responsável pela vigilância da ação desses agentes. Se isso por um lado nos sossega, a verdade é que na generalização de um em relação aos restantes, deixa uma desconfiança forte da sua ação. É preciso mostrar, daqui para a frente, que o sr. guarda, guarda mesmo as pessoas e não guarda desejos de agressão. Conheci um que multou o meu amigo por não usar cinto de segurança dentro das garagens. Este senhor agente, como animal furtivo, não queria preservar o condutor, queria multá-lo. Dizemos que não somos todos iguais mas, na verdade, quem são os agentes que não são iguais? Como distingui-los? Só a sociedade lhes pode outorgar a credibilidade. Há poucos agentes, queixam-se a GNR e PSP para cumprir missões que lhe são confiadas. E deve ser certo e, por isso, se chama a atenção do Governo que sem sossego social não há segurança de corpos e de alma e muito menos nas ruas. Mandar para casa os agentes prevaricadores não deixa de ser um ato que se louva, aplaude e solicita para que a limpeza seja total. Há sementes que ficam e tendem a germinar se o campo lhes for propício. Somos todos animais e, se nos deixassem, dominávamos pela força dos nossos instintos. Eu não posso olhar para o lado e perguntar-me, será maçã podre?



 

Paulo Fafe

Paulo Fafe

11 maio 2026