«Não faleis mal uns dos outros» (Tgo 4, 11). A discordância é um direito; já a maledicência é uma afronta. Quem diz mal de alguém, de si também não diz bem.
Retenhamos o ensinamento atribuído a Freud: «Quando Pedro me fala de Paulo, fico a conhecer melhor Pedro do que Paulo».
«Sede prontos para ouvir e lentos para falar» (Tgo 1, 19). Habitualmente, preferimos o contrário: prontidão para falar, lentidão – ou até resistência – para ouvir.
Que ninguém interrompa ninguém. Que não se comece a falar enquanto alguém intervém. E que tomemos a iniciativa de dar a palavra; escutar também pode convencer.
«Não façais o bem para serdes vistos» (cf. Mt 6, 1). Nem sempre quem é visto, é bem visto.
Se é o mal que se pratica, melhor seria não o praticar e, muito menos, expor. Se é o bem que se realiza, basta que seja realizado. Que haja mais pudor na vida pública.
«Fazei bem aos que vos fazem mal» (Mt 5, 44). Eis o verdadeiro trunfo para a convivência e o maior triunfo para a existência.
O bem nunca há de ser limitado nem seletivo. Tem de ser para sempre e para todos: uns porque o merecem e outros, porque não o merecendo, mais precisam dele. Basta de maldade.
«Não façais aos outros o que não quereis que vos façam a vós» (Tb 4, 15). Eis a regra de ouro que praticamente todos conhecem, mas que praticamente ninguém cumpre.
Sejamos magnânimos, mesmo na divergência. Não há vitórias eternas nem derrotas irreversíveis.
«Não condeneis e não sereis condenados» (Lc 6, 37). As acusações que lançamos podem reverter-se contra nós.
Discordemos das opiniões, mas estimemos sempre aqueles que as defendem. Ainda que discrepantes, disponhamo-nos a ser cooperantes.
«Quem de vós não tiver pecado, atire a primeira pedra» (Jo 8, 7). O que se diz dos outros ou o que se faz aos outros volta-se inevitavelmente para nós. E – por vezes – contra nós.
Ninguém tem o monopólio da virtude; ninguém tem o exclusivo da perversidade. A decência é o maior ornamento da existência.
«Só a verdade vos libertará» (cf. Jo 8, 32). Como distinguir hoje a verdade do engano?
Os «deepfakes» e as «fake news» são lodaçais de falsidade, mas têm grande aparência de verdade. Cuidado, porém. A mentira não anda à solta apenas no mundo digital.
«Não procureis o vosso interesse» (Fil 2, 4). Feliz de quem procura servir e não servir-se.
As necessidades dos mais débeis devem sobrepor-se aos interesses dos mais astutos.
«Considerai os outros superiores a vós mesmos» (Fil 2, 3). Para quê proclamar «eu sou o melhor, o mais habilitado»? Deixem o povo fazer essa triagem.
Ainda virá o tempo em que alguém dirá «aquele é melhor que eu; escolham-no». E Não faltará quem opte por quem isto tenha dito. A humildade também há de vencer!