Quando alguém tropeça numa pedra e cai por terra pode ter dois tipos de reação, olhar para ela com desprezo ou usá-la para fazer uma obra d’arte. Tudo depende da sensibilidade e talento de cada pessoa. E quantas vezes no caminhar da nossa vida nos deparamos, não com pedregulhos, mas com pessoas que achamos serem demasiado avessas às nossas ideias. Sem que lhe demos a oportunidade de mostrarem os seus talentos quando, mais tarde, se poderiam revelar diamantes acabados de lapidar. Analogia, esta, que tanto pode servir para os meandros da esfera social como da política do país, desde que se evite o preconceito de superioridade e atitude de rejeição.
Pois bem, deixando a filosofia de lado, vejo-me tentado a dizer que o ambiente gerado na Assembleia Municipal (AM), extraordinária, de 17 de janeiro, último, não teve “apedrejamentos” reais, mas de palavras. Não só pelas autênticas “pérolas de destrato” atiradas por um reputado membro da AM afeto ao PSD e ao executivo – que muito considero e admiro – à oposição. Não, sem que a parte visada lhas devolvesse com igual ênfase. Falo de um carismático e eloquente seu oponente do PS que, por entre críticas à atual gestão Municipal, não deixou os seus créditos por mãos alheias no que toca à defesa do partido político a que pertence.
Daí, a caricata situação que se viria a registar quando as duas referidas personagens da política se viram enredadas no velho dito: “Roma não paga a traidores”. Em que o primeiro viria dizer que, do mesmo modo, Braga também não paga a “traidores”, referindo-se ao Movimento ASB e ao seu dirigente. Aproveitando o outro para afirmar que o seu partido jamais paga a “traidoras”, em alusão à ex-aliada por ela se ter passado para o campo do adversário. Querendo cada um levar a água ao seu moinho, e deixar em seco o do vizinho. Diálogo que em nada dignificou a sessão.
Assim como não caiu bem a forma, algo hostil, como foram tratadas pelo atual líder da Câmara Municipal de Braga (CMB) algumas das forças políticas em presença. Desdobrando-se não só em “recados” e “ralhetes”, como em acusações de “ignorância” e “falta de estudo dos dossiers”. Isto, em vez de optar pelo diálogo profícuo e sereno, dado não estar em maioria absoluta. Porquanto a democracia estipula que se respeite o voto popular conferido pelos bracarenses a todos os eleitos, no sentido de tratarem de tudo aquilo que é o melhor para a nossa terra.
Ademais, espera-se é que o atual Edil-mor venha a ser bem mais diligente e obreiro do que o seu antecessor, para bem da cidade e seu concelho. Só foi pena ter contribuído para que aquele evento se tivesse transformado numa espécie de reunião de condóminos desavindos, ou num diferendo de interesses entre senhorio e inquilinos.
Pelo que se começa a recear que as AM na nossa Augusta Cidade, normalmente marcadas em fim de semana, se transformem na “febre de sexta à noite”, uma vez que a de sábado foi outrora de ordem musical. Por isso, há que mudar a cantilena de que quem é oposição não está ali para colaborar. E pensar que estão, ali, todos comprometidos em fazer de Braga uma cidade cada vez melhor para se viver.
Pelo que me recuso a acreditar na existência de bragueses com o sentido de prejudicarem esta bela Capital distrital do Minho. Antes pelo contrário, encontramo-nos todos ansiosos por soluções que façam dela um local de excelência. Para isso, torna-se necessário que o timoneiro que comanda a Autarquia se não deixe enredar em estéreis euforias de elevação do seu ego e evite humilhar os deputados oponentes.
Já que, afinal, três pareceres da oposição acabam de ser contemplados neste início de consulado. Trata-se de: suspender e repensar o Projeto do metroubus; criar uma Via Circular Externa (há largos anos adiada e que viria aliviar o trânsito citadino) e retirar da estrada Nacional a Feira Semanal. De resto, fico a fazer figas para que o sr. Presidente brilhe e tenha enorme êxito. Braga e os munícipes agradecem.