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Antigo militar da GNR julgado por tráfico de droga por via marítima fica em silêncio

Antigo militar da GNR julgado por tráfico de droga por via marítima fica em silêncio
Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 17 de junho de 2026, às 14:48

Os três estão acusados de tráfico de estupefacientes e de associação criminosa, e o casal, juntamente com uma sociedade gerida por ambos, estão também acusados de branqueamento de capitais.

Um antigo comandante da GNR de Fafe, a mulher e o irmão acusados de criarem uma organização criminosa que se dedicava ao tráfico internacional de cocaína por via marítima ficaram hoje em silêncio no início do julgamento, no Porto.

Os três estão acusados de tráfico de estupefacientes e de associação criminosa, e o casal, juntamente com uma sociedade gerida por ambos, estão também acusados de branqueamento de capitais.

O Ministério Público (MP) sustenta que os arguidos receberam droga proveniente da República Dominicana dissimulada em peles de bovinos que a sociedade gerida pelo casal, com instalações em Fafe, no distrito de Braga, importava.

Segundo a acusação, em 20 de julho de 2025 chegaram ao porto de Leixões, no concelho de Matosinhos, distrito do Porto, três contentores de peles bovinas, tendo as autoridades policiais detetado a presença de cerca de 1.300 quilos de cocaína (que correspondia a um total de 5.549.916 doses individuais) simulados na carga transportada.

A Polícia Judiciária deu, então, início ao seguimento daquela carga e, em 05 de agosto de 2025, “após as operações de desalfandegamento, os arguidos irmãos rececionaram os contentores no armazém da sociedade arguida”.

“Já no armazém, ao abrirem os contentores e ao se aperceberem que tinham sido remexidos, o arguido militar, com o propósito de dissimular a responsabilidade pelo transporte do estupefaciente, contactou a GNR local, ensaiando uma versão para a existência de estupefaciente nos contentores, e instruiu a que a arguida, sua companheira, eliminasse quaisquer comunicações a propósito do transporte da mercadoria”, sustenta o MP.

A detenção dos arguidos foi efetuada naquele momento, no referido armazém, os irmãos estão desde essa data sujeitos à medida de coação de prisão preventiva.

Na primeira sessão do julgamento, a decorrer no Tribunal de S. João Novo, no Porto, nenhum dos arguidos quis prestar declarações, tendo sido ouvido “um resumo” das declarações do antigo militar aquando da sua detenção, em agosto de 2025.

Segundo o resumo feito pela juíza que preside o coletivo que está a julgar os arguidos, o antigo militar explicou que a mulher, enfermeira de profissão, e o irmão, empresário da construção civil, “nada sabiam” do tráfico de droga.

Sobre o irmão, aquele arguido referiu que ele o ajudava “a descarregar os camiões”, porque sozinho ele não o conseguia fazer, e a mulher tratava “apenas de coisas” relacionadas com o funcionamento da empresa, que terá servido de fachada para a atividade criminosa.

No resumo, a magistrada deu ainda conta que o antigo militar, que estava de licença sem vencimento à data da detenção, confessou que o carregamento que levou à sua detenção era o terceiro que fazia, tendo sido o primeiro em 2022.

O arguido disse ter recebido pelo primeiro carregamento 150 mil euros e pelo segundo 250 mil euros.

Depois dos arguidos se terem remetido ao silêncio e uma vez feito o resumo das declarações do antigo militar em sede de primeiro interrogatório, a sessão de hoje está a ser dedicada à audição das testemunhas de acusação, nomeadamente os investigadores da PJ envolvidos na investigação.

A próxima sessão do julgamento está marcada para quinta-feira.