Reportagem Especial

Vídeo: Miguel Viegas

Concelho convida visitantes a descobrirem o interior do país.

Luísa Teresa Ribeiro
21 Julho 2022

Freixo de Espada à Cinta está a desafiar os turistas a descobrirem as maravilhas do verão no interior do país. O concelho convida os visitantes a desfrutarem do Douro, a passearem pelo centro histórico manuelino e a terminarem o dia a apreciarem um dos vinhos locais à beira de uma piscina infinita. Depois desta experiência num território de singular beleza natural, difícil é mesmo voltar para casa.

Após um mergulho na Congida, praia de bandeira azul incrustada no Douro, com vista para os socalcos onde coabitam a vinha, as laranjeiras e as amendoeiras, parte-se de barco para descobrir o rio. A diferente vegetação que se avista dos dois lados da fronteira natural entre Portugal e Espanha definida pelo curso de água, patos a descansar em cima de uma rocha ou grifos a rasgarem o azul do céu são alguns dos atrativos desta viagem em que a beleza da natureza consegue sempre surpreender. No percurso, descobrem-se os vinhos da Quinta dos Castelares e os bolos de amêndoa típicos de Freixo de Espada à Cinta.

Este passeio pelo Douro Superior é uma das propostas com as quais o concelho do distrito de Bragança, a cerca de 250 quilómetros de Braga, quer seduzir os minhotos já neste verão, desafiando os visitantes a explorarem um território que alia natureza, património, gastronomia e vinhos à hospitalidade das suas gentes, numa experiência turística de qualidade longe das multidões. Foi o que descobrimos numa visita que teve como cicerone Rui Manuel Ferreira, freixenista de gema que é CEO da agência de comunicação e marketing digital Brand 22 Creative Agency.

No sentido de proporcionar as melhores condições a quem procura o concelho, a Praia Fluvial da Congida, ponto de atração incontornável na época estival, classificada com qualidade de ouro, tem este ano à disposição dos veraneantes uma piscina flutuante e atividades náuticas a cargo de uma empresa de animação, tudo sob vigilância de nadadores-salvadores e da embarcação dos bombeiros. A piscina fixa existente nas imediações foi renovada e há campos de futebol e voleibol de praia.

No local existe um bar onde é possível petiscar com vista para rio, para além de estar a ser ultimado um edifício de apoio onde vai funcionar um restaurante e haver espaços para diversas iniciativas. É também aqui que se apanha o barco para descobrir o Douro Internacional, podendo os bilhetes para estas viagens ser reservados através do Posto de Turismo.

É possível pernoitar nas Moradias do Douro Internacional e acordar com vista para o rio.

O presidente do Município explica que os melhoramentos na Praia da Congida, que vão continuar no próximo ano, se inserem na política autárquica de valorização do potencial do concelho para atrair visitantes. «Freixo de Espada à Cinta é um concelho em que 80% vive da agricultura e 20% do turismo. Aquilo que este executivo camarário quer é potenciar ao máximo estas duas valências», afirma Nuno Ferreira, destacando o objetivo de valorizar os produtos endógenos, tais como vinho, azeite, amêndoa ou laranja, e dar a conhecer o que de melhor o concelho tem para oferecer.

O autarca defende que mais do que falar do interior é preciso «praticar o interior», descobrindo as maravilhas que este tem para oferecer a quem o visita. Freixo de Espada à Cinta tem atrativos de peso para conquistar os turistas, a começar pela natureza, cujo esplendor pode ser apreciado numa rede de miradouros e na mais recente rota dos baloiços.

Mesmo fora dos miradouros “oficiais” a paisagem convida a parar para deleitar o olhar, encher os pulmões de ar puro, regalar os ouvidos com silêncio e revigorar a alma com paz. Guerra Junqueiro, político e escritor natural do concelho, dizia, sem exagero, «no céu ou em Freixo de Espada à Cinta».

 

Vila Manuelina destaca-se na rota da seda

A igreja matriz de Freixo de Espada à Cinta é o ex-libris daquela que é considerada «a vila mais manuelina de Portugal», dada a quantidade de edifícios deste estilo que existem no centro histórico. No templo quinhentista, destaque para o portal manuelino e para a pintura do retábulo composto por 16 painéis da Escola de Grão Vasco, como foi possível admirar numa visita na companhia do padre Manuel Rodrigues.

A explicação para as marcas manuelinas prende-se com a fixação nesta localidade de judeus que fugiam à Inquisição espanhola, pessoas que tinham poder monetário para custear uma expressão artística cara e que exigia bons pedreiros. Aqui não houve judiaria, tendo a chegada dos novos habitantes levado à abertura de mais ruas, como explica Jorge Duarte, num entusiasmante périplo pelo miolo urbano, no qual é feita uma viagem pela história do concelho.

Junto à matriz fica o emblemático freixo, simbolicamente com uma espada à cinta, a que foi associado o nome de Duarte d’ Armas, escudeiro da Casa Real que fez a cartografia de 56 castelos fronteiriços de Portugal, a mando do rei Manuel I. Com mais de 500 anos, o freixo foi classificado em 2019 como Árvore de Interesse Público.

Uma das lendas associadas ao nome da terra diz que a vila foi fundada por um fidalgo cujo brasão tinha um freixo e uma espada, outra que um nobre godo descansou debaixo de um freixo e ali pendurou a sua espada após uma batalha com os árabes e uma terceira conta que teria sido D. Dinis a repousar à sombra desta árvore. Certo é que o primeiro foral desta localidade foi outorgado por D. Afonso Henriques.

Um pouco mais acima fica a Torre do Galo ou Torre Heptagonal, do século XIV, o único elemento que resta do castelo de Freixo de Espada à Cinta. É possível subir à torre, da qual se tem uma impressionante vista panorâmica.

Neste périplo pelo centro é obrigatório visitar o Museu da Seda e do Território, onde a seda é trabalhada artesanalmente, o que valeu ao Município o prémio de autarquia do ano 2022, na categoria de “Cultura e Património”, subcategoria de “Artesanato”, atribuído pelo Lisbon Awards Group em parceria com o jornal Eco.

Neste espaço é possível ficar a conhecer todo o ciclo da seda e ver três artesãs a trabalhar ao vivo.

A autarquia iniciou o processo de certificação da seda e vai formalizar um protocolo com o Castelo de São Jorge, em Lisboa, para que estes produtos artesanais sejam vendidos num dos espaços turísticos mais concorridos do país.

 

Vinhos são embaixadores do concelho

Os vinhos de Freixo de Espada à Cinta levam o nome do concelho por todo o mundo e vão ganhar ainda mais projeção com a escolha do Douro para Cidade Europeia do Vinho 2023, defende o presidente da Câmara Municipal, Nuno Ferreira.

Entre as marcas do concelho, a Quinta dos Castelares tem-se vindo a afirmar pela sua qualidade como um dos embaixadores de Freixo de Espada à Cinta, arrecadando inúmeras distinções em prestigiados certames de vinho.

A empresa liderada por Manuel Caldeira tem 140 hectares de vinha, comercializando 27 referências com as marcas Quinta dos Castelares, Fronteira e Bicho da Seda.

Desde 2015, que a Quinta dos Castelares aposta na produção biológica, sendo atualmente a enologia da responsabilidade de Hélder Alves.

Manuel Caldeira foi dos grandes defensores da casta autóctone Códega do Larinho, que está agora a mostrar as suas potencialidades, como explicou o diretor-geral da Quinta dos Castelares, Pedro Martins.

Montes Ermos, Arribas do Douro, Maritávora, Montícola, Cabeço da Senhora, Espada à Cinta e Porttable são outras das marcas do concelho, alguns dos quais foram apresentados numa festa animada com música ao vivo de Romeu Mota, participante Ídolos Portugal 2022.

Para degustar a gastronomia local, a acompanhar estes néctares, as propostas da restauração local incluem estabelecimentos como o Restaurante Zona Verde, a Churrasqueira Luanda, o Cinta d’Ouro, o Bom Retiro e o Latas.

 

Hotel de quatro estrelas enriqueceu oferta de alojamento

O concelho de Freixo de Espada à Cinta tem uma oferta de alojamento turístico de 256 camas, que ficou mais rica com a entrada em funcionamento, há um ano, do Hotel Freixo Douro Superior, uma unidade de quatro estrelas com 63 quartos.

O diretor do hotel, Rui Nunes, refere que esta unidade veio colmatar uma necessidade de alojamento de quatro estrelas que existia na região, tendo contribuído para a dinamização da economia local através da criação de 15 postos de trabalho.

Representando um investimento de 1,2 milhões de euros, o hotel tem como cartão de visita uma piscina infinita com vista para o centro histórico da vila, possuindo também piscina interior, jacuzzi, banho turco, sauna e ginásio.

Aberto para os hóspedes e clientes em geral, o restaurante funciona em parceria com o Cinta d’Ouro, apostando em pratos típicos que valorizam os produtos locais.

No primeiro ano de funcionamento, os clientes portugueses representam 80% dos hóspedes, sendo que entre os estrangeiros se destacam os oriundos de Espanha, Bélgica e Países Baixos.


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