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Utentes respiram de alívio com tratamento à doença dos pezinhos em Braga

Utentes respiram de alívio com tratamento à doença dos pezinhos em Braga
Fotografia André Arantes

Publicado em 29 de dezembro de 2023, às 12:03

Paramiloidose começou a ser tratada em Braga no dia 14 de novembro de 2023.

Ana Margarida e Marlene vivem com a ‘Doença dos Pezinhos’ há já vários anos. As sequelas são narradas com dor, mas com esperança. Sabem que não há cura, mas também sabem que os tratamentos ajudam no dia a dia de cada uma.

«Consigo manter as minhas funções sociais, ainda trabalho e hei-de trabalhar durante muito tempo», afirma Ana Margarida, enquanto que Marlene confessa que, apesar do sucesso dos tratamentos, já não consegue exercer a sua profissão.

São 18 os utentes que recebem, desde novembro, o tratamento à Paramiloidose Familiar no Hospital de Braga, depois de ter sido estabelecido um protocolo com o Centro Hospitalar Universitário de Santo António. 

A sala de tratamentos onde foram feitas as entrevistas estava cheias e as enfermeiras não tinham mãos a medir com o trabalho.

A doença dos pezinhos, como explicou o médico Carlos Capela, diretor do hospital de dia médico, é uma patologia neurológica degenerativa que, através da produção de uma proteína que se infiltra nos nervos, numa primeira fase, causa um grande défice sensitivo. Mais tarde é possível haver uma infiltração nos órgãos internos, causando a sua falência ou insuficiência.

 

Consigo manter as minhas funções sociais, ainda trabalho e hei-de trabalhar durante muito tempo.

 

Ana Margarida Abreu, uma das utentes que falou ao Diário do Minho, esteve cerca de cinco anos com sintomas, mas sem saber da existência desta doença na sua família, enquanto que Marlene assistiu à morte de familiares, incluindo a sua mãe, devido a esta patologia e, por aí, descobriu aos 18 anos que também sofria do mesmo problema.

O facto dos tratamentos serem feitos no Hospital de Braga partiu de um acordo entre entidades médicas que, assim, permite que os utentes não tenham que fazer uma viagem de 50 quilómetros até ao Hospital de Santo António, no Porto, que mantém a gestão dos doentes sendo apenas os tratamentos feitos em Braga.

Para o médico Carlos Capela, o facto de o tratamento ter passado para Braga é uma excelente notícia para a comunidade local.