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Violência no namoro: corta com a violência

A maioria dos adolescentes estabelece relacionamentos de namoro positivos e saudáveis. Contudo, existem situações em que a vontade de controlar e de dominar o outro pode dar lugar à violência.

A violência nas relações de intimidade é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como um grave problema de saúde e de segurança pública. Mas este tipo de violência não é um fenómeno exclusivo das relações entre adultos. Estudos nacionais e internacionais mostram que este também é um problema presente nos relacionamentos entre os mais jovens – aquilo que é considerado como violência no namoro. A violência no namoro integra-se no crime de violência doméstica, artigo 152.º do Código Penal.

Ainda que hoje em dia muitos jovens afirmem reprovar o recurso à violência, e embora exista mais informação e esta esteja mais acessível aos jovens, muitos acabam por aceitar e tolerar o uso da violência por parte do/a namorado/a. Um estudo realizado em Portugal com cerca 4500 jovens, com idades compreendidas entre os 13 e os 29 anos, constatou que um em cada quatro jovens relataram já ter sido vitimas de algum tipo de conduta abusiva pelo/a namorado/a.

O que é a Violência no Namoro?

As formas de violência utilizadas podem incluir:

  • violência verbal: insultar, difamar, humilhar, gritar;

  • violência psicológica: partir ou danificar objetos com a intenção de causar medo;

  • violência relacional: controlar o que o outro faz nos tempos livres e ao longo do dia, proibir o contacto com familiares e amigos;

  • violência física: empurrões, pontapés, bofetada;

  • violência sexual: forçar à prática de relações sexuais ou de carícias forçadas.

Existem outros comportamentos violentos mais subtis e outras formas mascaradas de exercer poder e controlo sobre a outra pessoa que podem ser totalmente imperceptíveis (por exemplo, o controlo da forma de vestir, a consulta das mensagens no telemóvel, o pedido de partilha da passworddo e-mail e das redes sociais). Por vezes, a estratégia do/a agressor/a exprime-se sob a forma de preocupação com o relacionamento e com o bem-estar do/a namorado/a, o que pode ser confundido com manifestações de amor.

Quem são as vítimas?

Ao contrário do que acontece nas relações entre adultos, em que a violência é frequentemente exercida pelo homem sobre a mulher, a violência entre jovens é caracterizada pela troca mútua de agressões. Existem, contudo, diferenças: a violência física é mais frequentemente utilizada pelos rapazes, havendo por isso uma maior probabilidade de magoar a vítima ou de lhe causar ferimentos; sendo que o impacto psicológico e emocional da experiência de vitimação é superior nas raparigas e estas recorrem a atos abusivos, sobretudo, como reação à violência exercida contra si.

Qual o impacto?

As consequências da violência podem influenciar negativamente outros domínios da vida dos/as jovens: a família, o trabalho, a escola, as relações de amizade. Se identificados e reconhecidos por amigos ou adultos de confiança, estes podem ajudar a prevenir condutas violentas, a diminuir o impacto da vitimação e apoiar no cessar a relação de namoro.

São sinais de alerta:

  • lesões físicas, para as quais não se apresenta explicação;

  • tristeza;

  • medo;

  • dificuldades de concentração / dormir / memória / tomar decisões;

  • desconfiança face aos outros;

  • diminuição da autoconfiança;

  • mudança brusca nos comportamentos habituais;

  • afastamento dos/as amigos/as;

  • recusa ou desinteresse em atividades anteriormente apreciadas;

  • declínio no rendimento escolar ou redução da produtividade no trabalho;

  • fugas da escola e/ou de casa.

Que apoio está disponível?

Por questões relacionadas com a privacidade, a busca de autonomia, a falta de conhecimento acerca dos recursos disponíveis, a maioria dos adolescentes não procura ajuda para a violência no namoro. Quando o fazem, recorrem frequentemente à ajuda de amigos e familiares e não de profissionais.

A não procura de ajuda pode estar associada a diferentes fatores: não reconhecerem o comportamento do/a namorado/a como abusivo ou de o desculparem e entenderem; o receio de serem culpabilizados/as pela relação abusiva; para não perderem o estatuto entre os pares ou por não quererem ficar sozinhos/as; a esperança de que o comportamento mude; o desconhecimento face aos recursos e apoios disponíveis. A vergonha é também frequente em quem não procura ajuda.

A APAV apoia as pessoas vítimas de violência no namoro, prestando-lhes apoio jurídico, psicológico e social. Assim, conta com os familiares, amigos/as da vítima, na denúncia deste crime.

A APAV disponibiliza ajuda presencialmente, de forma gratuita, confidencial, qualificada e humanizada, bem como através da Linha de Apoio à Vítima – 116 006 (chamada gratuita das 09h-21h).

GABINETE DE APOIO À VÍTIMA DE BRAGA

Rua de S. Vítor, 11 (Edifício Junta de Freguesia de São Victor)

4710-439 Braga

Tel. 253 610 091

[email protected]

Dias úteis: 10h00-13h00 / 14h00–18h00

No âmbito das celebrações dos 25 anos, o GAV Braga publica um artigo de opinião por mês no Diário do Minho sobre as diversas áreas de atuação da APAV


Autor: Gabinete de Apoio à Vítima de Braga
DM

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14 fevereiro 2019