twitter

Uma pedrada no charco

Foi no dia 10/10/17 (Diário do Minho) que esbarrei, no Laboratório da Fé, com esta determinação “Partir de Jesus Cristo”. A determinação está, aí, com toda a clareza, ao afirmar o encontro da nossa pessoa com a líder Pessoa de Jesus Cristo, que dá à nossa vida um novo horizonte e um rumo decisivo, não falando, já, que Jesus Cristo é que está no eclodir da origem do nosso ser como cristão. O humanismo, para ser cristão, tem de caminhar, sem coxear, sobre as duas pernas: a existencial e a transcendental. Passo a mencionar a afirmação desta nobre e grandiosa determinação: “A Igreja, pela voz avalizada dos últimos papas, alerta para a decisiva importância de promover a consciência de que toda a vida tem de partir de Cristo: é o encontro com Jesus Cristo que está na origem de ser cristão. João Paulo II lembrou, não será uma fórmula a salvar-nos mas uma Pessoa e a certeza que Ela nos infunde: “Eu estarei convosco!” Depois, Bento XVI, para refletir que “Deus é amor”, afirma que, ao início do ser cristão, há um encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. Esta Pessoa é Jesus Cristo”. “Se nos próximos anos não se promover um clima de conversão humilde e alegre a Jesus Cristo (…), veremos como a fé se extinguirá aos poucos entre nós e como o nosso cristianismo se diluirá (…)”. O charco, referido no título do meu artigo, vai, sobretudo, simbolizar a Igreja Cristã, gerida e liderada pelos Evangelhos, espelhos comportamentais de Jesus e atualmente vividos pelos seus conscientes representantes: os seus santos, os seus sábios e justos doutrinadores e ápices do Humanismo Transcendental. A pedrada, que cai no charco, é algo que agita, em ondas turbulentas e encapeladas, a superfície pacífica em que se encontram as águas (os dogmas da Igreja). Vou simbolizar esta pedrada na nossa intemporal, radical e ôntica natureza. Esta natureza, na sua substância simples, eterna, una, relacional e transcendental, traz, enfiado no dedo, um anel cravejado com as pérolas da autonomia, da liberdade e da responsabilidade, por Deus criadas e transmitidas ao ser. Tais pérolas têm o majestoso condão de nos abrirem as portas à entrada da afirmação de que é, através delas, que indubitavelmente eclode a Igreja verdadeira, universal, una. É, portanto, esta ôntica natureza humana, que a arder, intrinsecamente, em labaredas de fé e esperança, envolve e incentiva todas as igrejas (e particularmente a cristã), exigindo delas e de todas as pessoas o seguimento de Jesus Cristo, cá na terra. Exige de toda a humanidade a dádiva incondicional do seu amor ao homem, ao mundo e a Deus. Com fundamento na nossa ôntica natureza, idêntica em todos os homens, a pessoa humana, impelida pelo seu ôntico, qual pedrada que cai no charco, colabora com Jesus Cristo em fé e esperança para a construção de um mundo novo.
Autor: Benjamim Araújo
DM

DM

7 fevereiro 2018