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UM RIO COM MUITOS AFLUENTES…

Em maré de ‘rentrée’ política, com festas ou sem festas, o próximo quadrimestre promete ser quente, e não me refiro às eleições presidenciais do início de 2021, mas à eleição concelhia social democrata bracarense, sensivelmente na mesma altura. Se é absolutamente inquestionável o apoio à recandidatura de Ricardo Rio daqui a pouco mais de um ano – ninguém ousará outro cenário, apesar de alguns já andarem a pedir “a chave do município” – a questão da sucessão, do actual presidente da Comissão Política de Secção (CPS), será tudo menos pacífica! De facto, a alternância “passista” dos últimos mandatos entre o líder da banca social democrata da Assembleia Municipal e a actual liderança concelhia não tem condições para continuar e este já escolheu o seu (desejado) sucessor que lhe garante fidelidade absoluta – foi com o apoio do actual presidente que chegou a líder da JSD, foi por ele colocado na lista da vereação, foi “ponta de lança” junto de autarcas PSD (usando a sua função municipal) na campanha interna do partido no apoio a Luís Montenegro e foi recentemente indicado para a lista da Comissão Política distrital (CPD) do PSD liderada por Paulo Cunha – é João Rodrigues. Opositor de longa data e, diga-se, único a assumir (embora de forma desastrosa) em termos eleitorais é Humberto Carlos, agora fragilizado pelo afastamento profissional (e pessoal) do concelho, parece não ter força suficiente para voltar à liça. Por outro lado, na oposição às lideranças dos últimos anos, por estranho que possa parecer, é Rui Morais o eterno putativo candidato que nunca quis (?) assumir o confronto por variadíssimas alegações, acabando sempre por integrar as sucessivas CPS em “nome da unidade”, este operacional político de excelência pode querer ser candidato… fora de tempo!? A correr por fora (ou não…) o discreto, mas influente, José Carlos Inteiro afastado dos papéis principais por questões profissionais mas sempre “com um pé” no poder, tem surgido no último ano muito mais activo e a “mostrar serviço” tentando um papel agregador da oposição interna, coisa que os outros dois nomes antes citados não parecem ser capazes… Num cenário eleitoral com a oposição à actual liderança dividida, o próximo acto eleitoral pode tornar-se “um passeio” para João Rodrigues. A alternativa é um protagonista forte e agregador que corporize a mudança que o PSD precisa em Braga. Sendo conhecida a matriz conciliadora de Ricardo Rio, esta confrontação real evitada noutras eleições, não será nada do seu agrado em ano de unir as hostes em torno da sua reeleição (que não se quer fragilizada, no último mandato) em momento de preparar o sucessor (ou sucessora?!). Será Ricardo Rio a (única) solução?
Autor: Afonso Henrique Cardoso
DM

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31 agosto 2020