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Um país sem dinheiro...

A maior necessidade de um Estado (povo) é a de ter governantes corajosos”. Johann Goethe, polímata, estadista e um dos maiores escritores da Alemanha - (1749-1832)

1 - Um país à míngua e economicamente à rasca. Sempre à rasca e à míngua como é da tradição. E com designações pomposas. Ora vai de tanga, ora entra em bancarrota. Ora vem a Troika, ora debitam-se promessas de virar a página da austeridade. Ora com crescimentos económicos acima da média europeia, ora estamos cada vez mais na cauda da Europa.

Uma das verdades: O país vegeta ao sabor dos combustíveis. Se não fossem o ISP e o IVA já estaria nas ruas da amargura. Pelo menos, é esta a ideia que passa. Triste realidade! Nua e crua. Sem remissão. Incrível para um país com tantas e boas condições para ser bem diferente. Com outros horizontes. Com outro futuro. Uma realidade que dói pela ineficácia de quem tem assumido os comandos do meu país. De quem tem responsabilidades. Ser responsável na governação não é pedir muito. É uma exigência. Um imperativo. Um serviço público.

2 - Convém não esquecer que Portugal é um país da União Europeia desde 1986. Tinha vinte anos de fundos de coesão para se modernizar, para ser competitivo, para ser produtivo. Recebeu mais de 150 mil milhões de euros!!! Recebeu esta pipa de massa para deixar de andar de mão estendida. Recebeu para ombrear com os outros concorrentes e para disputar quotas de mercado. Juntar-se ao pelotão da frente era um desígnio e um desafio arrojado. Ficámo-nos pela cauda. Uma tristeza! Isto quer dizer simplesmente que não se atingiu o objectivo principal de se estar no grupo do primeiro mundo na questão do desenvolvimento social e do bem-estar. Estamos nas bordas, é verdade, mas à custa do dinheiro dos outros. Não pode ser. Não nos fica bem. É tempo demais, 36 anos a receber dinheiro!

3 - Portugal é um país de economia aberta e capitalista. Integrado numa Europa capitalista, que tem um viver capitalista. Esta foi a opção escolhida e bem escolhida. Às vezes, o país faz figura de urso, quando os socialistas estão no poder. E é quase sempre. Quando isso acontece, sofre de umas guinadas à esquerda, à esquerda radical, semeando fantasias a rodos, enganando a pobreza, jogando com os números para iludir a economia. Depois, claro, vem a ressaca que tem o condão de mostrar o atraso social, a estagnação económica, o desinvestimento, os serviços públicos em desgaste e, como não podia deixar de ser, mais endividamento.

A verdade é que Portugal não tem dinheiro – recursos financeiros próprios – para fazer, em qualidade, face às suas necessidades mais básicas, tendo como único meio disponível aceder a empréstimos desmesurados e em contínuo. Pedir dinheiro tornou-se num acto normal. Gastá-lo, de qualquer maneira, também. Não há dinheiro, porque não se soube em tempo devido gerir a economia com parcimónia e com acerto. Preferiu-se outros caminhos. Com horizontes nebulosos e com chãos movediços. E agora, neste momento de aperto, pugna-se com “ferocidade” por mais ajudas, mais compreensão e mais “piedade” para mitigar os problemas. Não é justo, nem sensato esta forma de administrar o país. Claramente.

4 - A geração que ronda agora os 40 anos, sempre conheceu, presenciou e conviveu com um país em crise. Muda-se de legislatura, mas a crise perdura. Crise foi e é a palavra maldita da juventude nacional e a nota dominante de um viver precário e tem-se sucedido em cadeia governo após governo. Esta fragilidade económica associada à precariedade laboral e aos baixos salários, tem provocado o “êxodo forçado” de largos milhares de jovens, muitos deles qualificados e talentosos, para paragens bem mais atractivas e com outros níveis de consolidação em busca de outras condições de vida.

A incapacidade do país gerar riqueza e empregos de qualidade está em linha com a inabilidade governativa, com a debilidade e descapitalização empresarial e com o assustador endividamento.

Ponto final - Ainda se espera fervorosamente por aquela “manhã de nevoeiro”. Seja com um Sebastião, seja com um António. Com as figuras que estão no poder, não vamos lá. Não saímos da cepa torta, porque estes ataram o país à crise. Sempre, mais do mesmo. Agora, com mais frenesim e sem oposição. Este é o fado luso cantado pelas veredas tortuosas do meu país.


Autor: Armindo Oliveira
DM

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27 março 2022