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Um olhar pela cidade

Sabe bem dar uma “volta” pela cidade. O tempo também convida a visitar ruas e praças do casco urbano. A olhar calmamente para a fachada dos edifícios e descobrir alguns pormenores que antes passavam despercebidos. A olhar o equilíbrio das fachadas graníticas. A olhar as pessoas a deambular pelas ruas do centro citadino e vê-las a entrar nesta ou naquela loja, talvez, à procura de um saldo que lhes faça jeito. A pandemia obriga-as a terem cuidados redobrados, não impedindo, no entanto, que a cidade esteja mais cheia, mais vivificada e com outro movimento, claro. De facto, nota-se que a cidade mexe com gente de fora, o que é bom para animar a restauração e a hotelaria, entre outras actividades económicas. Numa dessas “voltas”, ali, no gaveto da Rua do Souto com a Rua Frederico Ulrich deu-me para apreciar o restauro do antigo edifício que albergava a loja de louças “Paulo Machado”. Gostei. Restauro simples, com uma pintura exterior bastante interessante, dando um maior relevo à imponência do edifício. As cores jogam bem com a estilo do edifício. Um pouco por todo o casco urbano, a reabilitação construtiva está em maré positiva. A cidade, que caía aos bocados ainda há bem pouco tempo, mercê das opções erradas da edilidade do outro autarca, está a renascer e a tornar-se mais atractiva e mais em linha com o seu historial. É bom ver a cidade a alindar-se, a ter e a dar uma imagem mais congruente com a modernidade e com as necessidades de a manter sempre viva e referencial no contexto nacional. Braga é uma cidade importante a nível nacional e agradável para se viver. É muito elogiada por quem a visita. A reabilitação urbana é e será sempre o modelo desejável e a incrementar cada vez mais para se ter uma cidade velha, com história e com alma, num contexto sócio-cultural actualizado, onde os naturais e os residentes se sintam bem e com orgulho da sua urbe bimilenar. Como sugestão: sensibilizar os proprietários dos edifícios do centro citadino para a reabilitação urbana, conferindo-lhes a edilidade, condições extraordinárias para o fazer, como apoios diversos, isenções, uma fiscalidade amiga e tudo o que possa activar esta necessidade de pôr a cidade bonita, arquitectonicamente agradável e humana e economicamente viva.
Autor: Armindo Oliveira
DM

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22 agosto 2020