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Um exemplo a imitar

1.No passado dia 23 de julho o Venerável Bernardo de Vasconcelos foi apresentado oficialmente como patrono dos jovens da Arquidiocese de Braga rumo à próxima Jornada Mundial da Juventude. É mais que oportuno dar a conhecer a vida daquele jovem declarado Venerável pelo Papa Francisco em decreto de 14 de junho.

2.Bernardo Vaz Lobo Teixeira de Vasconcelos nasceu em 07 de julho de 1902 e faleceu em 04 de julho de 1932.

Procurou, como qualquer jovem, um sentido para a vida. Pensou matricular-se na Escola Naval. Trabalhou numa casa bancária, no Porto. Foi estudante de Direito na Universidade de Coimbra. Projetou constituir família e namorou. Após um retiro para estudantes feito no Luso, entre 11 e 13 de fevereiro de 1923, entendeu que o seu caminho era o sacerdócio.

Ao longo da vida, uma vida breve mas cheia, deu mostras de ser um cristão consciente e coerente. Exerceu, sobretudo em Coimbra, no Centro Académico da Democracia Cristã (CADC) e não só, notável atividade apostólica, através do testemunho de vida, da palavra falada e da palavra escrita. Deu brado a conferência que proferiu sobre o Ideal Cristão, apresentada em Braga num Congresso Eucarístico Nacional, em julho de 1924. É autor de vários livros de temática religiosa e compôs poemas reunidos nos volumes «Cântico de Amor» e «Poesias Dispersas».

Isto, nos difíceis anos de hostilidade à Igreja e aos católicos, que se seguiram à implantação da República. Nos difíceis anos em que estudantes de Coimbra iam ao mês de Maria levando a moca debaixo da capa, para se defenderem, se fosse necessário. Mas iam.

Tendo professado em Samos, na Galiza, em 29 de setembro de 1925, para o mosteiro de S. Bento de Singeverga, preparou-se para o sacerdócio.

A falta de saúde não permitiu que viesse a concretizar este sonho. Acometido pelo mal de Pott (tuberculose óssea), viveu então a doença como caminho de santidade.

3.Como escrevi, penso ser muito útil dar a conhecer à gente nova o percurso de vida de Bernardo de Vasconcelos. Para que cada um procure encontrar sentido para vida, através da reflexão pessoal e da consulta de pessoas que o possam ajudar. Para que os jovens não tenham vergonha de serem cristãos e de se afirmarem como tal.

Não me refiro ao que chamo pastoral do espetáculo, mas às celebrações semanais da Eucaristia. Onde estão os jovens? Que percurso seguem, após a profissão de fé e a celebração do Crisma (os que chegam aí)? Onde está o seu testemunho cristão? Que formação religiosa manifestam?

4.Recordo palavras do Papa Francisco aos Bispos Portugueses, por ocasião da visita Ad Limina, em 2015:

«Não pode deixar de nos preocupar a todos esta debandada da juventude, que tem lugar precisamente na idade em que lhe é dado tomar as rédeas da vida nas suas mãos. Perguntemo-nos: A juventude deixa, porque assim o decide? Decide assim, porque não lhe interessa a oferta recebida? Não lhe interessa a oferta, porque não dá resposta às questões e interrogativos que hoje a inquietam?» (…)

«Jesus caminha com o jovem… Ao catequista e à comunidade inteira é pedido para passar do modelo escolar ao catecumenal: não apenas conhecimentos cerebrais, mas encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido em dinâmica vocacional segundo a qual Deus chama e o ser humano responde». (…)

«A Igreja em Portugal precisa de jovens capazes de dar resposta a Deus que os chama, para voltar a haver famílias cristãs estáveis e fecundas, para voltar a haver consagrados e consagradas que trocam tudo pelo tesouro do Reino de Deus, para voltar a haver sacerdotes imolados com Cristo pelos seus irmãos e irmãs».

Que a Jornada Mundial da Juventude 2023, já na sua preparação, contribua para a formação de cristãos que se não envergonhem da sua fé e procurem agir em coerência com ela.


Autor: Silva Araújo
DM

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4 agosto 2022