twitter

Traumatismo Crânio Encefálico: a importância do cuidar

O Traumatismo Crânio Encefálico (TCE) ocorre quando é exercido um mecanismo de força externa sobre o cérebro, originando uma lesão que afeta o funcionamento cerebral. Mediante o tipo e gravidade da lesão, ocorre uma incapacidade funcional permanente ou temporária a nível cognitivo, físico e psicológico, podendo afetar a capacidade da pessoa desempenhar as suas atividades de vida diária de forma autónoma.

Em Portugal, o TCE representa uma das principais causas de incapacidade. De acordo com um estudo desenvolvido pela Associação Novamente em 2014, estima-se que, nos últimos 25 anos, mais de 275.000 pessoas tenham sofrido um TCE grave em Portugal e vivam na sua maioria com sequelas dos mesmos.

A Associação admite, ainda, que diariamente existem 15 novos casos de TCE, sendo considerada pela comunidade científica uma epidemia silenciosa, mais prevalente nos homens jovens-adultos e idosos, cujas causas mais comuns são os acidentes rodoviários e as quedas, respetivamente.

Neste sentido, devem ser implementadas políticas de saúde, no que diz respeito à prevenção de quedas e acidentes de viação. As quedas nas pessoas mais velhas podem ser prevenidas com base numa avaliação da condição de saúde, como por exemplo as alterações do equilíbrio ou da força muscular, bem como das condições habitacionais, onde se destaca a adaptação do ambiente.

Ao manter o ambiente livre de perigos está a diminuir o risco de queda, por isso deve ter em conta as seguintes recomendações: retirar tapetes ou colocar antiderrapantes; adequar o calçado (os sapatos ou chinelos devem estar presos ao pé e ter solas antiderrapantes) e roupa (as calças devem ter a altura certa para que o idoso não tropece); evitar pisos escorregadios; entre outras.

Relativamente aos acidentes de viação, as medidas de sensibilização rodoviária devem ser reforçadas, concretamente no que reporta ao consumo excessivo de álcool ou outras drogas, à não utilização dos dispositivos de segurança e ao excesso de velocidade.

Apesar dos múltiplos esforços para prevenir o TCE e dos avanços nos cuidados de saúde hospitalares permitirem que mais sobreviventes desta patologia vivam no domicílio, este evento súbito dá pouca margem aos cuidadores informais, maioritariamente familiares, para assumirem a prestação de cuidados cada vez mais complexos e prolongados no tempo.

Decorrente desta realidade, os enfermeiros assumem um papel determinante junto dos cuidadores na preparação e na adaptação à nova condição de saúde do familiar que sofreu um TCE. Estes profissionais de saúde avaliam as competências/aptidões cognitivas, psicomotoras e relacionais de quem cuida, bem como as suas necessidades, de forma a assegurar que o cuidador presta cuidados com qualidade e que visam a manutenção da saúde e do bem-estar da pessoa vítima de TCE.

Alguma da evidência disponível dá conta da necessidade dos enfermeiros envolverem as famílias o mais precocemente possível, capacitando-as e minimizando as consequências negativas associadas à falta de informação, preparação e apoio.

Especificamente, no caso dos cuidadores de sobreviventes de TCE é importante que estes conheçam as principais alterações motoras, cognitivas e comportamentais, nomeadamente: diminuição da força, coordenação motora e equilíbrio; existência de períodos de confusão, com desorientação no espaço/tempo; alterações da memória e de concentração (irritabilidade e agressividade).

Neste sentido, o envolvimento dos familiares nos cuidados aos sobreviventes de TCE é uma mais-valia, tornando-se num pilar fundamental para a criação de um ambiente seguro, tranquilo e familiar através de uma boa comunicação, capaz de promover e maximizar a autonomia funcional perdida.

As famílias e vítimas de TCE podem, ainda, procurar o apoio da Novamente, uma Associação criada por pais, médicos e amigos de Traumatizados Crânio-Encefálicos que tem como missão prestar um melhor apoio às vítimas de TCE e às suas famílias.


Autor: Sandra Carreira
DM

DM

11 janeiro 2019