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Trabalhar em Portugal mas viver em Espanha

Segundo uma reportagem da imprensa diária, há trabalhadores portugueses que residem em Espanha e, diariamente, atravessam a fronteira para virem trabalhar para Portugal; naturalmente são nossos compatriotas que buscam melhores condições de vida no país vizinho do que no seu próprio.

Esta situação acontece com maior frequência nas zonas raianas ou mais próximas da fronteira, como seja na Beira ou no Alentejo, e duas vezes por dia, para virem trabalhar e irem dormir do lado de lá; e o que obriga estes portugueses a esta tão absurda como intrigante situação são razões de peso: habitação mais barata, combustíveis mais baratos, eletricidade mais barata e tudo quanto a impostos sobre os serviços essenciais diz respeito, igualmente compensa esta preferência por viver no país vizinho.

E caricato ainda é saber que, se estes portugueses trabalhassem em Espanha, ganhariam melhores salários e o imposto sobre o rendimento do trabalho era menos penoso do que em Portugal; e o mesmo acontece com os combustíveis para milhares de portugueses que, vivendo junto às fronteiras, muito lhes compensa, monetariamente, abastecer os veículos de gasolina ou gasóleo e comprar gás doméstico na vizinha Espanha.

Ora, esta estranha condição de ser português resulta do facto de os nossos governantes não tratarem como devem os seus concidadãos e assim os empurrando para fora das suas fronteiras; que é o mesmo que se passa com milhares de jovens que, desempregados ou com falta de ofertas de trabalho compatíveis com as suas habilitações académicas e profissionais, brigados são a emigrar.

E esta falta de apoio, de valorização e reconhecimento da formação e talento dos nossos jovens candidatos a trabalhadores fazem parte da forma de agir de sucessivos governos sem capacidade nem astúcia para criarem as necessárias condições laborais e sociais para quem se candidata ao primeiro emprego; e, daqui, resulta a trágica e inconsequente realidade de exportamos os melhores talentos cuja formação sorveu aos cofres do Estado, e a todos nós que Estado somos, elevados custos económicos e vão ser aproveitados por países, mais ricos e evoluídos do que nós, que nada gastaram na sua formação académica.

Pois é, olhando à nossa volta facilmente concluímos que temos baixos salários, poucas possibilidades de subir na vida, que o talento no trabalho não é reconhecido, nem recompensado como devia ser, que os impostos são demasiados e penalizadores; e sobretudo, que os milhões e milhões vindos da União Europeia gastos têm sido em tudo, menos na melhoria das condições de vida do povo, como bem o comprova os dois milhões de pobres que vivem no meio de nós.

Agora, a realidade que mais nos apoquenta é que, desde a saída da Troika e a subida ao poder do partido socialista, chefiando António Costa uma geringonça que durou seis tristes e nefastos anos, o país retrocedeu e deixou-se ultrapassar por outros membros dos 27, menos evoluídos, e que caminhavam na cauda do pelotão da União; e nos assusta, no momento, a maioria absoluta que António Costa granjeou nas urnas para governar quatro anos com uma pipa de massa vinda com a tão apregoada bazuca, pois o momento propício é a que os habituais aproveitadores e sanguessugas se aprestem na melhor e mais rápida forma de chegar à manjedoura.

Entretanto, o país e o seu bom povo continuará à espera de um governo providencial que lhe restitua a sua dignidade e esperança num futuro melhor e mais justo; e o que somente possível será com governantes competentes, solidários, empenhados – autênticos estadistas – pelo que se dão alvíssaras a quem os encontrar, disponíveis e motivados, por aí, prontos a abraçarem o leme da governação.

Então, até de hoje a oito.


Autor: Dinis Salgado
DM

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3 março 2022