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Swissleaks e Eucaliptos nas Estradas: somos todos Gregos

Besta da corrupção. Para bem e mal, somos também representantes duma civilização greco-romana que sobretudo desde o sonho presságio do Imperador Constantino com a Cruz – In hoc signo vinces -, antes de derrotar o usurpador Magêncio na Batalha da Ponte Mílvia e que na sequência cristianizou Roma, se apresenta com um cariz judaico-cristão. As nossas condolências à Grécia pelo terror impiedoso dos incêndios. País pelo qual percorremos grande parte do território no longínquo ano de 1991, bem como pelas suas intermináveis ilhas, sempre debaixo dum calor singular. Vindo à lembrança o herói da guerra de Tróia, Ulisses, o qual nos transporta para a Ilíada ou Odisseia, nas quais, por sua vez, estão os seres humanos ao longo da vida. Uma desdita homérica que – não sabendo quem foi “Homero” -, também podemos encontrar em Virgílio, Camões ou Joyce, entre Outros. Ulisses, o tal que, nas crónicas, passadas as “colunas de Hércules”, estreito de Gibraltar, fundou Lisboa, não muito longe do Continente perdido, Atlântida, e cujas “sobras” são hoje o Arquipélago dos Açores. Governados pelo m/colega da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Vasco Cordeiro. Alemães, americanos, ingleses, espanhóis, franceses, belgas e holandeses, russos e chineses, entre outros, nórdicos, sabem bem que por dentro da Zona Económica Exclusiva lusa, uma das maiores do mundo para a qual foi solicitada novo alargamento à ONU, se encontram reservas de riquezas naturais provavelmente “inesgotáveis”. E quem irá usufruir delas? Até porque são necessários investimentos avultados para exploração, assim como de vigilância de soberania territorial que são incompatíveis com a corrupção na compra dos submarinos. Portugal, um país rico-pobre que está a saque de piratas nacionais e globais. Ora: o caso público “SwissLeaks” é fruto duma investigação jornalística – 130 jornalistas de 45 países – sobre uma profunda e ilícita evasão fiscal. Segundo notícias vindas a público, houve incentivos a esta fuga ao fisco do banco britânico HSBC-Hong Kong and Shanghai Banking Corporation, e em especial da sua filial suíça. Mais de €180.000 milhões referentes a cerca de 100.000 clientes e 20.000 empresas offshore, paraísos fiscais. Quanto aos outros cerca de 60 milhões de clientes mundiais pouco se sabe. Foi o ex-funcionário Hervé Falciani que também entregou documentação em 2008 às autoridades francesas. Já para não falar que em 2012 uma investigação do Senado norte-americano conduziu a fortes suspeitas de branqueamento de capitais relacionados com o crime organizado mexicano, a máfia russa, iraniana, saudita ou do Bangladesh. Numa espécie de confissão, o Banco pagou 1920 milhões de dólares para evitar o processo criminal. Em 2014, o Promotor Público Europeu acusou de fraude tributária e crime organizado, e exercício ilegal de intermediação financeira, a filial suíça do banco britânico. Em 24/7/18, foi notícia na SIC que a Eurodeputada socialista Ana Gomes, Embaixadora, citamos, “acusa o Ministério das Finanças de falta de transparência e de dar proteção à inspetora de Finanças Filomena Bacelar. A inspetora, que foi apanhada no caso Swissleaks, não foi alvo de qualquer punição disciplinar, noticiou esta segunda-feira, o jornal Público, que teve acesso às conclusões do inquérito”. Salvaguardando a presunção de inocência, somos neste ponto totalmente solidários com Ana Gomes, até que tudo seja esclarecido ao mais ínfimo pormenor, pelo Estado de Direito democrático e social. E haverá mais cidadãos e empresas lusas envolvidas?! Já para não falar no “Panamapapers” e outros similares. Mas, face aos terríveis incêndios dos irmãos Gregos, o que mais perplexidade nos causa é o absurdo número de eucaliptos que existem nas bermas das estradas, p.e., A28 e A1!!! Assim, depois de tanta treta e falta de ordenamento no território dum Portugal corrupto como este, estão infelizmente garantidas novas tragédias com incêndios por cá, mas também em todos os países similares.
Autor: Gonçalo S. de Mello Bandeira
DM

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27 julho 2018