twitter

Sol-posto, inda a brilhar!

Precisamente no dia de hoje (28 de Janeiro), ocorre o 41.º aniversário do seu falecimento: BENJAMIM SALGADO (08-05--1916 / 28-01-1978), nascido e falecido em Joane – Famalicão. Quiçá pela última vez, quero testemunhar publicamente a minha admiração e louvor, que tributo a esse ilustre Cidadão, de já saudosa memória! Mais velho que eu treze anos, nascido e crescido em freguesia confinante com a sua, conheci de perto a família dele, mormente o notável jurista – dr. José Salgado. Dos laços que me ligam a BENJAMIM SALGADO, concretizo alguns: seu aluno de Português (Seminário da Tamanca, 1943-1947), escolheu-me e preparou-me para declamar, de cor e solenemente (Academia em louvor do Papa, com presença de alunos, professores e Arcebispo), um poema (autoria Joaquim Alves), alusivo a Pio XII, que corria grave “perigo” de ter que fugir do Vaticano, na 2.ª guerra-mundial (39-45). Poema lindo, que declamei bem e que terminava assim: – «Não há-de ser preciso! Mas, se o for, se o Vaticano houveres de deixar, terás, em Portugal, um Povo acolhedor, que, em te salvando a ti, o Mundo há-de salvar!» Era a primeira vez que eu falava em palco público: recebi palmas e isso marcou-me, pela vida fora...! O padre BENJAMIM passou a constituir, a partir de então, uma espécie de astro luminoso, guiando meus passos de adolescente em busca de Sol...! Recordo ainda o primeiro automóvel de BENJAMIM SALGADO: um Austin azul celeste – TP – 12 – 19! Lembro também este episódio: em vésperas de umas férias grandes, pedi ao professor de Português que me indicasse, para ler em férias, um livro qualquer. A resposta foi esta: – «Lê “O papel da Vontade na Educação», de autoria Dom Manuel Trindade Salgueiro, bispo de Aveiro (estátua em Ílhavo). Já não posso precisar se li ou não, mas nunca mais esqueci o conselho dado...! Os tempos correram, os rumos divergiram, mas ainda nos encontrámos várias vezes e em diversas circunstâncias... Recordo até, de passagem por Paris, ter-lhe ali comprado e depois oferecido um disco do imortal FRANZ SCHUBERT, quiçá por ver nos dois algo de parecido...! Surpreendido e consternado pela notícia da sua morte, não descansei e fui prestar-lhe a minha homenagem fúnebre rezando junto do esquife, na casa onde vivia! Era o fatídico 28-01-1978! Sem jamais o esquecer, marquei presença sentida no “centenário do seu nascimento” (Maio – 2016), comemorado solenemente por Câmaras e Igrejas de Braga, Famalicão, Esposende, entoando hinos de louvor ao Homem e ao Artista... BENJAMIM SALGADO foi Padre (aos 22 anos, pároco, assistente religioso dos Escuteiros), Orador, Professor, Escritor, Jornalista, Poeta, Político, Autarca e, sobretudo, Músico – criador de melodias (religiosas e outras, as mais variadas em temas e estilos), ainda hoje encantadoras...! Marcou sua época, de forma indelével, ao serviço da Cultura! Se me perguntarem qual o dom-dote-qualidade que mais aprecio e admiro na sua personalidade multifacetada, eu, admirador de todos esses raros predicados, responderei prontamente: BENJAMIM – compositor! Que maravilhosas e sublimes emanações do espírito, ou respirações de alma divinamente inspirada! Mormente quando constituindo um “duo” artístico JOAQUIM ALVES (poeta) e BENJAMIM SALGADO (músico), oh! maravilhoso conúbio entre a Harpa e a Lira! Que inefável beleza, aproximando de DEUS – o supremo Autor de tais dons...! Não estranhem, pois, a minha predileção por BENJAMIM musicólogo! Já que ele era crente e eu também o sou, deixem-me não duvidar da sua “recompensa-do-céu” em mantê-lo no perpétuo e feliz repouso, entre os “Artistas” que, pela Arte, se elevaram tendo elevado o Mundo...! Bem hajas, BENJAMIM SALGADO!!! Oxalá os cultores da boa Música (sacra ou profana) não deixem no olvido tantas maravilhosas “pérolas”, que deixaste aos vindouros, preciosas e belas, ainda nos dias de hoje! Não respiguem mais: dêem vida a “LÍRIOS DE MAIO” (1943), “A MISSA DO PEREGRINO” (congresso da O. V. S. 1946), “MISSA JUBILAR” (congresso Mariano 1954)! Nas três obras monumentais, que puseram a cantar participantes de peregrinações entusiasmadas, estavam dedos de dois inesquecíveis “Artistas”: Joaquim Alves (poeta) e BENJAMIM SALGADO – compositor!
Autor: Nunabre
DM

DM

28 janeiro 2019